segunda-feira, 30 de abril de 2012

MONSENHOR JOVINIANO BARRETO

MONSENHOR JOVINIANO BARRETO

Nasceu a 5 de maio de 1889, na fazenda Cajazeiras, Município de Tauá, Ceará. Filho de Roberto Barreto e de dona Cristina Gonçalves de Amorim Barreto. Teve como primeira professora a mãe, a seguir, o seminário. Ordenou-se a 21 de dezembro de 1911, aos 22 anos.

Antes de ordenar-se lecionou no Seminário (1908-1909) e no Colégio Diocesano do Crato (1910-1911) Foi vigário de Independência 12 de janeiro de 1912 até 05 de setembro de 1913. Cooperador de Mons. Linhares, em Lavras da Mangabeira, até 15 de janeiro de 1917, Cura da Catedral de Crato de 20 de janeiro de 1917 a 28 de fevereiro de 1919.Secretário do Bispado de Crato de 1º de março de 1919 a março de 1936; Diretor e professor do Colégio São José de Crato, de 1º de janeiro de a 30 de novembro de 1924.

Vice-presidente do Banco do Cariri S/A desde a sua fundação em 1921 até 1950. Reitor do Seminário do Crato de 1º de janeiro de 1922 a 31 de dezembro de 1932; Diretor do Ginásio do Crato em 1933 e 1934. Pároco de Juazeiro do Norte de 26 de março de 1935 a 06 de janeiro de 1950.
Ao ser nomeado Vigário de Juazeiro - “A freguesia mais difícil de curar que o Brasil jamais sonhou possuir”, segundo Prof. J. Teles da Cruz, a família, na caridade para com ele, tremeu: ele não! Aceitou, seguiu, sofreu, suportou tudo, até morrer como morre um Padre bom: na fidelidade do ofício" (Neri Feitosa).

Dia 06 de janeiro de 1950, Monsenhor Joviniano Barreto foi assassinado por Manoel Pedro da Silva, solteiro, de 39 anos. De Juazeiro, o corpo foi levado para o Crato, nos braços do povo. O sepultamento ocorreu às 17 horas do dia 07 de janeiro de 1950, presentes o bispo diocesano, 21 Sacerdotes, 19 seminaristas e Comissões de Milagres, Barbalha, Lavras, Missão Velha e Caririaçu.

O assassinato de Monsenhor Joviniano Barreto abalou a família e a sociedade. O juiz de direito e poeta Carlyle Martins, presta-lhe uma homenagem no soneto:
 
MÁRTIR DO DEVER

(À memória de Monsenhor Joviniano Barreto)

Sacerdote do amor, da Fé e da virtude,
Sua alma era do Bem, sublime relicário
Dirigindo os fiéis, em serena atitude,
Pregava a religião do Mártir calvário.

O destino cruel, que tanto nos ilude,
Reservou-lhe na vida o mais atroz fadário,
Atirando-o, de um modo inesperado e rude,
De encontro à hediondez de um mísero sicário.

De morte sem igual pagou triste tributo,
O pobre Monsenhor! Mas seu nome impoluto
Já cintila no azul, em riscos camafeus!

E, enquanto a terra chora, em ânsias
Ele no Paraíso, entre estrelas e rosas,
Num esplendor de luz, está junto de Deus.

.
Carlyle Martins In: Feitosa, Neri. Monsenhor Joviniano Barreto. Cadernos do Cariri: Série Biografia. Crato, Ceará, 1966.

Nota do Jornal O POVO de 2 de janeiro de 1959, 6ª feira:

“Dia 31 de dezembro de 1958, suicidou-se, na prisão, com três profundas peixeiradas, o tristemente célebre criminoso Manoel Pedro da Silva, que é louco e foi o matador de Monsenhor Joviniano Barreto, vigário da Paróquia de Juazeiro, fato ocorrido em Juazeiro em 1950”.
 
O criminoso Manuel Pedro da Silva era natural do Rio Grande do Norte, na tarde do dia 6 de janeiro de 1950, no momento em que o sacerdote procedia a Benção litúrgica da pedra fundamental do convento dos Franciscanos, naquela cidade. Premeditou o delito, desde a véspera do Natal de 1949, quando foi à igreja, à meia noite, levando oculta sob as vestes, uma faca adquirida naquele mesmo dia. Não consumou naquela noite porque o celebrante foi outro sacerdote e não Monsenhor Joviniano Barreto.
 
O ódio do psicopata ao vigário da Matriz das Dores vinha sendo alimentado desde a alguns anos por motivos de o sacerdote haver-se recusado a celebrar o seu casamento com uma senhora casada.
 
Vale acentuar que essa recusa ao desejo absurdo de Manoel Pedro também foi externada pelo Juiz de Direito dr. Juvêncio Joaquim de Santana.
Em sua esquizofrenia, Manuel Pedro concretizou todo o seu ódio somente sobre a pessoa do sacerdote. Procurou assim eliminá-lo, conseguindo-o, finalmente, de maneira bárbara e traiçoeira”.

Fonte: FEITOSA. Neri. Monsenhor Joviniano Barreto. Cadernos do Cariri: Série Biografia. Crato, Ceará, 1966.

 

domingo, 29 de abril de 2012

FRANCISCA CLOTILDE - COMENTÁRIOS SOBRE O LIVRO

[perola.jpg]Pérola Custof disse...
Alguns anos depois, o livro de Francisca Clotilde, escrito por Anamélia foi norte para minha monografia(conclusão do curso de Jornalismo).
Graças ao seu trabalho responsável e próspero, por meio do resgate da história e vida de Clotilde, uma das pioneiras do jornalismo literário (feito por uma mulher)pude resgatar a história da imprensa feminina, num espaço que até então era atividade feita por homens. Ganhou o Ceará, ganhou o espaço acadêmico e ganhou a literatura.
Parabéns pelo seu talento e sensibilidade.
12 de janeiro de 2010 16:24
[Untitled+3.jpg]Gildênia Moura disse...
O livro de Anamélia sobre Francisca Clotilde é uma referência para pesquisadores que desejam trabalhar sobre a literatura, a imprensa e a educação feminina no Ceará.
Sua pesquisa foi muito bem realizada e foi um norte que eu pudesse desenvolver meus estudos sobre as escritoras e professoras no Ceará do século XIX.
Parabéns, Anamélia!
Abraços!
Gildênia Moura
21 de janeiro de 2012 01:58


Olha, para informar que já recebi o livro de sua autoria: FRANCISCA CLOTILDE, Uma Pioneira da Educação e da Literatura no Ceará. E que, nas primeiras páginas, já me emociono, pois a cultura VIVA nos faz sonhar, imaginar o principio de tudo que hoje somos e pensamos!!! Obrigado. E sobre tudo, por se tratar da avó, do meu amigo ARCHIMEDES BEZERRA, neto de CLOTILDE e companheiro de minha mãe. A quem ajudei muito, fazendo pesquisas que lhe reaproximaram da sua família aí no Ceará, pois que o fez FELIZ. Reencontrar com vocês, sua vovó pelos livros, suas primas e seu pai, ensinador, escritor e mestre, ARISTOTELES BEZERRA - que ensinou no Colégio que minha mãe estudava, o Regina Celi, no Rio de Janeiro.
30 de janeiro de 2012

EUFRÁSIO DE ALMEIDA - POETA DOS INHAMUNS

Em nossas pesquisas sobre a escritora Francisca Clotilde (2005, 2006, 2007) nos deparamos com outros escritores e poetas de Tauá e dos Inhamuns. Copiamos e guardamos alguns dados, e hoje estamos resgatando o poeta Eufrásio de Almeida.

Nascido nos sertões dos Inhamuns, Tauá a 02 de setembro de 02/09/1888, Eufrásio de Almeida era filho de João Ferreira de Almeida. Lírico e harmonioso, foi um poeta espontâneo, não sacrificando a forma com os nascentes dos parnasianos do seu tempo.
Modesto, foi empregado da Estrada de Ferro de Baturité, telegrafista em Quixadá (1907) e em Maranguape de 1908 a 1910. Nesta última cidade fundou “Via Látea”, onde publica os seus primeiros versos. Em 1911, esteve em Guaiuba, onde escreveu o soneto à uma pacatubana,

VIA DOLOROSA

Já não posso lutar contra esta sina
A que sem força, mísero me entrego
Jurei não mais amar... mas onde chego
Sempre ao amor meu coração se inclina.

E o juramento, o último se fina!...
É que – pobre de mim – nem mesmo o nego –
Não sei mostrar-me indiferente, cego,
Ao que é belo, ao que encanta, ao que fascina!

Vê, há pouco te vi, e apaixonado,
Dos últimos protestos esquecido
Eis-me aos teus pés, humílimo, curvado.

E já sofro a lembrança de deixar-te
E ir de novo – da sina perseguido
Deixando o coração por toda parte!

Eufrásio de Almeida foi, na mocidade, colega de pensão de Dolor Barreira. Este, dedicou 14 belas páginas de evocação e sentimento, transcrevendo seus versos no 2º volume de sua monumental História da Literatura Cearense. De referida obra recortamos o soneto a seguir:

NO TEMPLO

Quando a tarde se esvai e o dia é findo,
A igreja tu vais rezar, piedosa...
E ali, crente, contrita e fervorosa
Ergue a Deus o teu olhar mais lindo.

Depois o róseo manual abrindo
Esquecida de mim, talvez, formosa,
Tu descerras a boca cor de rosa –
Numa longa oração – um tempo infindo!

Debalde, então, procuro os teus olhares;
Vejo-os, fitos no livro ou – nos altares
Buscando a Cristo entre os fulgentes lumes!... r

Nessas horas (perdão se isto te ofende)
Maldigo o livro que teus olhos prende
E até do próprio Deus tenho ciúmes!

Eufrásio de Almeida, faleceu em Fortaleza, aos 13 de maio de 1913, na Santa Casa de Misericórdia, em Fortaleza. À beira de seu túmulo, Dolor Barreira fez o necrológio, publicado no “Jornal do Ceará” de 17 de maio de 1913, afirma Raimundo Araújo In:. Poetas do Ceará. Fortaleza: Galeno, 1983 pp. 51-53. 

Cidade de Fortaleza 24.06.2006 – Exemplar do Professor Abelardo Fernando Montenegro, quando estive em sua residência em pesquisa sobre Francisca Clotilde.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

REVISTA A ESTRELLA - REDATORA ANTONIETA CLOTILDE

ANTONIETA CLOTILDE 
REDATORA DA REVISTA A ESTRELLA

Para Lúcia Miguel Pereira “um dos veículos de emancipação que possibilitou a divulgação dos textos das mulheres, foi a imprensa, e dentro da imprensa, o periodismo feminino”. Antonieta Clotilde, ao longo de quinze anos foi redatora do mensário A Estrella.

A primeira notícia que se tem da revista A Estrella nos é dada pelo tauaense Joaquim Pimenta. É o registro de uma visita de Antonieta Clotilde e Carmem Thaumaturgo à redação da revista "Fortaleza" (1907), "Fomos distinguidos com a gentil visita do interessante mensageiro do pensamento infantil de Baturité: A ESTRELLA, que é competentemente redatoriado pelas senhoritas Antonietta Clotilde e Carmem Thaumaturgo. Agradecemos a honrosa visita, fizemos sinceros votos para que A ESTRELLA deslize sempre sobre uma alcatifa de pétalas de rosas".

Em estudo sobre a revista A Estrella, Otacílio Colares In: Lembrados e Esquecidos (1993:69) assim se reporta: "Seria injustiça se não fizéssemos sobressair a figura por todos os títulos simpática e intelectualmente significativa de Antonieta Clotilde que, como redatora de A Estrella, muito escreveu por injunção de sua responsabilidade editorial, e mesmo por vocação e amor filial. Como sua mãe, Antonieta era eminentemente romântica, quer quando fazia prosa, quer na poesia. Sonetista foi Antonietta Clotilde, mais ainda ao uso do alexandrino, do que é exemplo este pitoresco e nostálgico, 
            CREPUSCULAR 
(À Adalzira Bittencourt )

Triste, suspira a tarde... e morre, lentamente,
Num doce e grande beijo, acariciando a flor...
E eu sinto dentro d’alma uma tristeza ingente,
Sem que a vida me embale áureo sonhar de amor!...

Longe, na igreja, o sino, compassadamente,
Vibra... é o Ângelus... Vibra... Aviva-se o fervor
Neste meu coração nostálgico e descrente
Onde se oculta e esconde a pérola da dor!

Flores morrem no campo... Esvoaçam borboletas
Pelos vergueis em fora... E, além, voando, tristonho,
Um pássaro, veloz, para seu ninho, corre...

Ocultam-se, no vale, as tímidas violetas...
E o coração me diz como se fora em sonho:
- Uma saudade vem e uma esperança morre!"

Curiosamente, pesquisei quem seria Adalzira Bittencourt, e encontrei uma menina-moça paulista, correspondente e colaboradora da revista “A Estrella” (1915), anos depois, ela veio a ser a primeira Mulher a ocupar a Academia Paulista de Letras.

Com raríssimas exceções, a capa da revista A Estrella sempre um soneto da autoria de Francisca Clotilde (F. Clotilde), a qual é considerada sua principal colaboradora.

FRANCISCA CLOTILDE

MARIA STELLA BARBOSA ARAÚJO

Maria Stella Barbosa Araujo, ex aluna de Francisca Clotilde na cidade de Aracati, homenageando a ex mestra na Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno em Fortaleza (1952), falando sobre a grande poeta que ela é, afirma que "Numa revelação de seu patriotismo ardente e o amor que devota à Terra da Luz, a terra que a viu nascer", publicado em 1912, por ocasião das questões rabelistas, e que se intitula:

AVE CEARÁ

Ave, Terra da Luz, Ó pátria estremecida,
Como exulta minha alma a proclamar-te a glória,
Teu nome refugastes inscreve-se na história,
És bela, sem rival, no mundo, engrandecida!

A dor te acrisolou a força enaltecida,
Conquistaste a lutar as palmas da vitória
Hoje és livre e de heróis a fúlgida memória
Jamais se apagará e a fama enobrecida.

O sol abrasa e doura os teus mares que anseiam
Em vagas que se irisam, que também se alteiam,
A beijar com ardor teus alvos areiais.

Ei! Terra querida, sempre avante!
Deus te guie no futuro em ramagem brilhante
Nas delícias do bem, nos júbilos da paz!

Ora, ora! Soneto centenário (1912-2012). Coincidência ou proposital? Vou deixar a resposta a critério do leitor. Se é que alguém, fora esta que cá escreve, vai ler isso aqui. Veremos...
OUTRAS COLABORADORAS EM A ESTRELLA:

ABGAIL SAMPAIO

MARIA SAMPAIO

OUTROS COLABORADORES DE A ESTRELLA:

ARISTÓTELES BEZERRA

Otacílio Colares (1993:79), fazendo uma análise do que foi “A Estrella” o faz de modo saudoso e emocionado: "Nós, na primeira infância, nos habituamos a ter o nome de Francisca Clotilde como o de um nome tutelar. Temos guardados na lembrança, de modo mais vivo e indestrutível, dispostos, bem arrumados, frutos do cuidado de nossa estremecida e sempre lembrada mãe, Izabel dos Santos Colares, exemplares e mais exemplares de A Estrella, da qual, vez que outra, apareciam como colaboradoras, nossas jamais esquecidas irmãs mais velhas, ambas muito jovens, formadas professoras pela Escola Normal do Estado do Ceará, Maria de Lourdes e Edwirges Colares. Daí a juvenil amizade que ia nos prender ao poeta e professor Aristóteles Bezerra, assíduo colaborador de A Estrella".

CARLYLE MARTINS

BENI CARVALHO


REVISTA A ESTRELLA
SAUDAÇÃO À ESTRELLA (Por Rubens Thaumaturgo)
Mais uma fulguração desprende hoje a luminosa “Estrella”, do céu constelado das letras cearenses, e essa fulguração é como a centelha brilhante que representa uma conquista-vitória de imperecível valor.
Nove anos de publicação incessante perfaz hoje a gentil revista A ESTRELLA, produto de uma vontade tenaz, auxiliada pelo valor forte da inteligência robusta de sua distintíssima redatora  Antonietta Clotilde.
Salve, pois, astro de tão meigo dulçor.
Lembro-me bem... Já se passaram nove anos. Foi em 1906 em Baturité, meu berço querido. Duas crianças, pois, naquele tempo eram bem crianças, Antonietta e Carmem Thaumaturgo, idealizavam a fundação de um jornalzinho que fosse o receptáculo  de seus primeiros balbucios literários e arrojo sublime! Concretizavam em fato a idéia genial e profundo amor às letras, publicando em 28 de outubro o primeiro número d’A Estrella manuscrita – uma folha de papel almaço, caprichosamente escrita. Assim viveu algum tempo a querida “Estrella”, gentil, porém obscura, se tão insignificante era a sua tiragem – 20 – se tanto era os exemplares que circulavam. Quanta dedicação se ostentava naqueles lindos e saudosos dias de 1906, no velho, e saudoso Baturité, que vive apenas de tradições e glórias passadas!
Depois, Antonieta, estudiosa, inteligente e obstinada, acompanhando sua ilustre e estimosa Mãe, transferiu-se para o Aracaty, onde continuou só a manter a Estrella, já revestida de forma graciosa, de revista brilhante, mimosa, digna de admiração, e de apreço pelo contexto de escolhidas que encerra em suas páginas onde se encontra e distingue toda a transcendente doçura da alma suavíssima dessa delicada compleição de mulher, que é Antonietta Clotilde.- concretizando em si toda a máscula energia de uma heroína antiga, pela constância obstinada e admirável com que tem sabido manter sue ideal querido de poetisa e escritora, cujo nome já percorre o Brasil com a auréola do triunfo que, de há muito a acompanha.
Nove anos é uma vida... E para um jornal ou revista é um infinito que admira e pasma, especialmente aos que, como eu, sente e sabe o quanto existe de doloroso e martirizante nesta vida de sacrifícios que é a manutenção de uma publicação periódica, simplesmente literária, muito mais no Ceará, terra árida por excelência para tais empreendimentos e onde, contudo as almas vibram sempre em prol das grandes idéias, embora o desânimo tudo empolgue e esmague.
E é por isso que daqui deste Acre longínquo, que se me afigura como um prolongamento desse Ceará saudoso e nunca esquecido, venho também juntar a minha saudação ao concerto de inúmeros cumprimentos que hoje recebe a querida e admirável Estrella, a excelente revista que o espírito superior, fino e cintilante de Antonietta Clotilde - perante a quem me curvo - dirige para bem e glória das letras pátrias.
Salve radiosa “Estrella”! Que o teu fulgor seja incessante, perenal e eterno, são os meus votos, do íntimo do meu coração formulados.
Em nome do “Paladino”, teu coleginha, te venho também saudar.

(Xapury - AC. Rubens Thaumaturgo In: Revista A ESTRELLA. Aracati - Ceará, ed. de novembro de 1915 p. 14 e 15).

quarta-feira, 25 de abril de 2012

EU E MEUS NETOS


Raul

Levi
Raul e Levi

quarta-feira, 18 de abril de 2012

DEPRESSÃO E FRUSTRAÇÃO NO JOVEM

Anne Freud (1958). já dizia: É normal para um adolescente agir, por um tempo considerável, de modo inconseqüente e imprevisível”. Nessa perspectiva, Eric Erickson (1963), recomenda não atribuir às manifestações psicopatológicas dos adolescentes a mesma gravidade que às dos adultos. O que vemos? Pais e educadores ficam inquietos diante do modo de agir do adolescente em nossos dias (e  em todos os tempos). Os próprios adolescentes, tantas vezes censurados e reprimidos ficam angustiados e inseguros, frustrados e muitas vezes depressivos.


          Freqüentemente desconhecida do meio familiar e escolar, a depressão do adolescente, pelas suas reações adversas que suscita e, pelas dificuldades de adaptação que condiciona, tende a agravar-se e a prolongar-se, se a família e a escola não forem capazes de detectar o problema na sua essência.

         O ser humano é por natureza um ser social. Uma das características básicas da presença depressiva no jovem é o isolamento exagerado. Outras freqüências semelhantes são: tristeza, perda de interesse ou prazer, modificações de apetite e de peso, modificação de sono, lentidão psicomotora nítida, fadiga, sentimento de desvalorização, culpa excessiva, dificuldade de concentração, idéias de suicídio.

        Quase sempre o adolescente não se queixa espontaneamente de sua tristeza, por desconfiança ou por para evitar um confronto doloroso com sentimentos insuportáveis ou negativos e, principalmente pelo medo de sua frustração com relação a família, a escola e aos amigos.

       Os adolescentes que se apóiam mais em seus amigos do que em seus pais são mais deprimidos. Os filhos de famílias autoritárias ou permissivas são, mais deprimidos do que os de famílias onde as relações de poder são mais próximas do modelo democrático A vivência depressiva do adolescente, quando se exprime, manifesta-se quase sempre, através de sentimentos de vazio, de tédio, de indiferença, mal estar não definido, sentimento de solidão e de abandono, impressão de ser mal amado, incompreendido ou rejeitado (seja pela família, pelo grupo ou por uma determinada pessoa), ocasionando frustrações das mais diversas.

        Da mesma forma, estimas exageradas de si, idéias de grandeza eventualmente delirante; necessidade reduzida de sono, necessidade de falar constantemente; fuga de idéias; distração; hiper-atividade (social, profissional ou sexual); compras exageradas; também são sintomas, embora não parentes, de estado depressivo.

        As carências afetivas, em particular ligadas a depressão materna, principalmente, entre as mães jovens, tem sido repetidamente constatado por  estudiosos. Ser mãe (e pai também) na adolescência, além de criar um hiato na vida da pessoa, que poderá ser superado ou não, é motivo de situação depressiva e de imensas frustrações, que, não maioria das vezes não são superadas. E se são, deixam sempre cicatrizes, externas e internamente.

       As frustrações são inaceitáveis e têm que ser apagadas, a qualquer preço sob pena de se instalar um temível e desalentador sentimento de vazio: as brigas parecem aliviar.  As tensões acumuladas não podem e nem devem ser evacuadas em  gestos agressivos ou em prazeres artificiais. Os outros, vistos como culpados, passam a ser objetos a serviço dos impulsos, os afetos inexistem: é a instauração do  estresse.

       O futuro dá medo, gera insegurança. Mas é o futuro também que trará as respostas, que não são imediatas, nem rápidas, mas que poderão ser reais e sólidas e terão a exata dimensão da subjetividade de cada um.

       Os comportamentos depressivos podem induzir atitudes de incompreensão, rejeição e hostilidade do meio, atitudes estas que reforçam sua visão negativa de si mesmo e dos outros: os pais e os professores vêem o adolescente deprimido como preguiçoso, irresponsável, imaturo e insubordinado.

       O que podemos fazer pra reverter o quadro de depressão e frustração? É importante definir com o adolescente objetivos realistas que possam valorizar a si, a entender a sua família, a ter relações mais gratificantes com os outros e alcançar um sentimento de competência, de auto-estima e de poder. Enfim, prepará-lo para vencer os obstáculos e livrar-se das inúmeras frustrações adquiridas ao longo da vida.

        A indisciplina e a violência foram consideradas as grandes pragas do século XX. Infelizmente o problema continua, mas será que nós enquanto família, escola e/ou  sociedade estamos fazendo alguma coisa para reverter esse quadro ou estamos esperando que a coisa aconteça como mágica?

            Estamos cuidando de nossas crianças e de nossos jovens como eles merecem e devem ser cuidados, para que tenhamos famílias, escolas e sociedades melhores do que as do presente? Mais livres de estados depressivos e de traumas e frustrações insuperáveis?

      Uma das características da presença depressiva no jovem é o isolamento exagerado. Quando se apresenta referida situação, cabe a INTERVENÇÃO. No primeiro momento por parte do educador, que o encaminhará ao psicopedagogo e este, aos órgãos competentes.

      Face à complexidade e à superposição habitual dos determinismos, a escolha de uma estratégia terapeuta depende, principalmente, da avaliação do desenvolvimento do adolescente, de sua família e de suas inter-relações.

       A permissividade que reprime limites, os referenciais e os modelos indispensáveis induz no adolescente um sentimento de insegurança, de frustração, o que muitas vezes o leva ao estado depressivo, mediante:
·      As dificuldades econômicas, os conflitos políticos e sociais, o aumento do desemprego e da miséria, dão aos adolescentes uma imagem negativa da sociedade e do mundo dos adultos;
·      A distância entre os valores pregados e a realidade de uma sociedade freqüentemente desumana e alienante pode parecer-lhe trágica, devido ao seu modo de pensar puro e idealista, podem condená-la globalmente, recusando-se a se identificar com os adultos e arriscando-se a fixar em uma adolescência sem saída;
·     O uso de droga e do álcool, os comportamentos anti-sociais podem aparecer como meios de lutar contra os sentimentos de vergonha, ansiedades e frustrações.

       Sendo assim, a depressão pode aparecer não como uma patologia, mas, como uma resposta inevitável a um mundo frustrante.

“Há que se cuidar do BROTO
pra que a vida nos dê flor e frutos”.
(Milton Nascimento)


Anamélia Custódio Mota
Artigo publicado na Revista Mundo Jovem, PUCRS, nº 351, out/2004, p. 8

REFLETINDO A ETNOMATEMÁTICA

 “A adoção  de uma  forma de ensino  mais dinâmico, mais realista
e menos formal, mesmo no esquema de disciplinas tradicionais,
permitirá atingir objetivos mais adequados a nossa realidade”.
(Ubiratan D’Ambrósio)

  Ubiratan D’Ambrósio é o autor brasileiro que mais claramente se identifica com essa tendência.  Segundo sua conceituação, a “etnomatemática é a arte ou técnica de explicar, de conhecer, de entender nos diversos contextos culturais”.

  Segundo D’Ambrósio para um melhor aproveitamento do estudo da matemática, “Devemos nos voltar para situações realmente reais. Projetos de natureza global, tais como a construção de uma casa ou o mapeamento de uma cidade, fornecem informações que exigiram o manejar problemas e modelos. A resolução de problemas ocorre como conseqüência, daí adquire significado e sua solução fazer sentido”.

Sendo assim, o ensino da matemática deve ir além de simples técnicas para sua compreensão (imediata); ela deve oferecer meios que garantam ao aluno uma compreensão verdadeira dos conteúdos ensinados através de reflexões, análises e construções, visando sua aplicação no cotidiano, esta aplicação não está apenas no fato de executar cálculos do dia-a-dia, mas de realizá-los de modo a compreender e analisar o que se está calculando.

       Diante de uma situação de aprendizagem, é importante que o professor situe os alunos, explicando os objetivos, as aplicações do que está sendo estudado e as possíveis relações com os outros campos do conhecimento. Sugerindo caminhos, fazendo propostas de trabalho, orientando a atividade e interpretando os erros como meios de aprendizagem.

O processo de ensino aprendizagem deve centrar-se na análise e na interpretação de situações, na busca de estratégias, na discussão do diferentes métodos de soluções.

       Desse modo, pode se favorecer não só o domínio das técnicas, mas também o de procedimentos como a observação, a experimentação, as estimativas, a verificação e argumentação.

        Para que a aprendizagem da matemática seja significativa, ou seja, para que os educandos possam estabelecer conexões entre os diversos conteúdos e entre os procedimentos informais e os escolares, para que possam utilizar esses conhecimentos na interpretação da realidade em que vivem, sugere-se que os conteúdos matemáticos sejam abordados por meio da resolução de problemas.

       Nessa proposta, a resolução de problemas não constitui um tópico de conteúdo isolado, nem se reduz à aplicação dos conceitos previamente demonstrados pelo professor: ela é concebida como uma forma de conduzir integralmente o processo ensino-aprendizagem.

       Alguns exemplos de fatos e situações cotidianas que podem propiciar interessantes explorações matemáticas são:
    ·     Levantamento de dados pessoais;
    ·     Atividades de compra e venda;
·    Leitura e interpretação de informações que aprecem em contra-cheques, contas de luz, extratos bancários, para observar as escritas numéricas e fazer cálculos mentais;
    ·     Cálculo de medidas de terrenos e deificações, para compreender as noções de medida.

     A resolução de problemas matemáticos na sala de aula envolve várias atividades e desenvolve diferentes capacidades no aluno:
·    Compreender o problema;
·    Elaborar um plano de resolução;
·    Executar o plano;
·    Verificar ou comprovar a solução;
·    Justificar a solução;
    ·     Comunicar a resposta.

        Um dos maiores epistemólogos do século XX, Gaston Bachelard, em seu livro: “A formação do Espírito Científico” (1938), formulou o conceito de que o avanço da ciência se dava através de obstáculos, os quais eram inerentes ao próprio conhecimento, por conseguinte, não estando nas pessoas.

        As idéias de obstáculos epistemológicos podem ser levadas à matemática, pois facilmente se percebe que certos conceitos matemáticos foram verdadeiras barreiras para o avanço de certas áreas.

Anamélia Custódio Mota
Artigo publicado na Revista Mundo Jovem, PUCRS, Nº 347, maio de 2004.