sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
APOLÔNIO CAVALCANTE MOTA - 101 ANOS = 36.865 DIAS
Apolônio Mota - Juliana (neta) - Edmilson Barbosa (sobrinho/neto) e Raul (bisneto).
Apolônio Mota - Anamélia Mota (sobrinha) - Ed Wilson e o aniversariante Levi
PARABÉNS APOLÔNIO MOTA!
Saldar venho meu tio,
"Essa data venturosa;
Pois relembra o teu natal,
Salve data auspiciosa!"
Saldar venho meu tio,
"Essa data venturosa;
Pois relembra o teu natal,
Salve data auspiciosa!"
Filho de Aureliano Cavalcante Mota e Amélia de Carvalho Mota, nasceu na Fazenda Todos os Santos - Marruás, no dia 09 de fevereiro de 1911. Casado com Ananias Cavalcante Mota, filha de Enéas Alves Mota e Anélia Alves Mota, da Fazenda Santa Rosa - Marruás.
* São seus Irmãos: Agostinho casado com Ana Dolores; Abílio casado com Maria Luiza; Alice casada Francisco Mota Cavalcante (Abdon); Ataciso casado com Luzia Sobreira de Oliveira (Nenzinha); Izabel (Sia Bela) casada Domingos Alves Cavalcante (Seu Mingo); Ademar casado com Fausta Bastos Cavalcante; Mariquinha casada Adalberto Bastos Cavalcante; Absolon casado com Natália Cavalcante de Carvalho; Alaor casado com Edília Jataí Mota; Adauto casado com Ana Custódio Evangelista Mota. Da irmandade de Apolônio somente Mariquinha vive...
* São filhos de Apolônio e Ananias: Luis, casado com Luiza Lucena; Luiza casada com Vicente Alexandrino; Luiz Aureliano, casado com Cleide Just; Luiza Anélia, casada com Francisco Leitão Lima; Luiza Amélia, viúva de Eudes Feitosa; Luiza Apolônia (solteira); Luiz Enéas, casado com Sandra Veríssimo.
* São Netos de Apolônio e Ananias: Avelange, Luzia Ananias, Neirelande e Carlos Windson / Solano (filho adotivo), Sirlano, Solange, Sinolanda, Sirlânia / Juliana, Leonardo e Daniele / Jéssica, Jeferson e Eveline / Victor e André.
.* Bisnetos de Apolônio e Ananias: Vanessa, Francisco / Luiz Neto, Avelange Junior, Lucas / Fernando, Greice / Pedrinho / Maria Clara / Gabriela / Jenifer e Filipe / Raul (meu neto).
* Sobrinhos de Apolônio e Ananias: inúmeros... Afilhados: também... Mais de mil amigos...
Anamélia Custódio Mota
Tauá- CE, 09 de fevereiro de 2012
Apolônio Cavalcante Mota - 101 anos
Almoço comemorativo - Fortaleza - CE
De pé: Isabel e Manoel Enéas.
Paraguassu, Ayla, Anamélia, Apolônio e Luiza.
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
FRANCISCA CLOTILDE NO WWW.SONETO.COM.BR
DIVULGANDO OS SONETOS DE FRANCISCA CLOTILDE
--REGISTRO INSERIDO EM 2007-01-28
Nome: Anamélia Mota
Email: anamelyamota@yahoo.com.br
Cidade: Tauá - CE
Comentário:
Caro Trancoso, parabéns pelo site. Disponho de vários sonetos de poetas (mulheres) do Século XIX, que por preconceitos quase não figuram em antologias. Se você permitir, enviarei alguns para sua apreciação e provável publicação. Até breve. Anamélia
SONETOS.COM.BR: Por favor, Anamélia. Vi os sonetos de Francisca Clotilde e posso afirmar que em breve estarei publicando-os. Envie-os para o mesmo e-mail anterior. Agradeço DEMAIS pela sua contribuição. Um terno abraço!
--REGISTRO INSERIDO EM 2007-03-04--
Nome: Anamélia Mota
Email: anamelyamota@yahoo.com.br
Cidade: Tauá - CE
Comentário: Caro Trancoso Parabéns pela coerência e o selo que você tem por seus leitores e colaboradores. Na primeira vez que assinei o livro de visitas, afirmei que dispunha de alguns sonetos da poetisa cearense FRANCISCA CLOTILDE. Recebi a resposta de que poderia enviar. Tão logo enviei dois dos quais, foi deveras publicado. Isso é o que se pode chamar de compromisso com a literatura, não só a nível pessoal, mas também coletiva. Parabéns mesmo, o Brasil precisa de gente assim. Até qualquer hora, com votos de SUCESSO! Anamélia Mota
SONETOS.COM.BR: Cara Anamélia, felizmente já não são dois, mas dezenas de sonetos da poetisa que estão publicados aqui. Em breve, haverá uma página especial para eles... assim como especial é a sua contribuição para o mundo dos versos. Sou deveras agradecido a pessoas que contribuem para o crescimento deste espaço - você está entre elas! Abraços!! Obrigado!
REGISTRO INSERIDO EM 2007-04-17--
Nome: Anamélia Mota
Email: anamelyamota@yahoo.com.br
Cidade: Tauá CE
Comentário: Caro Bernado Trancoso Hoje foi mais um dia de ÊXTASE em minha vida - proporcionado por você, através da página dedicada a Poetisa FRANCISCA CLOTILDE. Agradeço de coração, em meu nome e em nome da História e Memória da Literatura Cearense. Posso mandar uma foto e uma minibiografia dela para publicação no início da página? Votos de SUCESSO com Paz e Saúde! Anamélia Mota
SONETOS.COM.BR: Êxtase... Curiosamente, Anamélia, foi este o título do soneto que escolhi para destacar na página inicial do sítio nesta semana... Andei pesquisando o seu trabalho como pesquisadora e divulgadora da poesia cerarense. Você, de fato, é que merece os louros por impressionantes labor e esmero. Parabéns!
*****
Sexta-feira, 27 de Abril de 2007
Agradecimentos (Por Bernardo Trancoso)
Gostaria de agradecer publicamente a três representantes do mundo dos sonetos que me presentearam com os seus e-mails neste mês: Anamélia Mota, Eric Blomquist e Fernando Aguiar. Todos eles, cada um a seu modo, tornaram o nosso sítio mais valioso, na grandeza da poesia que ele se propõe a divulgar.
- Anamélia, com a recuperação de diversos sonetos de autores cearenses, trouxe à tona uma poetisa de versos belíssimos, até então desconhecida por mim. Já criei até um espaço para ela em SONETOS FAMOSOS, incluindo biografia e foto da escritora. Com vocês, Francisca Clotilde:
"DESERTO
Esta casa que vês arruinada,
Solitária e deserta no caminho,
Foi outrora de noivos casto ninho
De ilusões e de risos povoada.
E hoje, como fúnebre morada...
Já não conserva o traço de um carinho,
Nem se ouve o trinar do passarinho,
Em seu muro, ao romper da madrugada.
Assim meu coração d’antes repleto
De esperanças e cândidos amores
É hoje como um túmulo, deserto;
E o vergel onde outrora as lindas cores
Das rosas de um porvir risonho e certo
Brilhavam, tem espinho em vez de flores!"
Anamélia, muito obrigado!
EDUCAÇÃO: LEIS, PLANOS, SABERES E PRÁTICAS
EDUCAÇÃO: LEIS PLANOS SABERES E PRÁTICAS
PREFÁCIO
Por José Medeiros
Vivemos em um mundo globalizado, onde a cultura das grandes pot ências economicamente desenvolvidas sufocam e destroem as pequenas, impossibilitando uma educação em defesa da vida. Essas potências dominam os meios de comunicação de Massa e conseguem transmitirem os seus interesses (sempre lucrativos e dominantes), usando sempre as melhores técnicas e atingindo a todos.
Pensar a educação neste contexto é se deparar com frustrações e muitas vezes cair no pessimismo. Até porque muitos educadores, fruto deste mundo neoliberal, são obrigados a entrar no mundo educacional para sobreviver. Alguns, com sobrecarga de trabalho para completar o orçamento familiar. Outrossim, não podemos esquecer que a maioria dos educadores foi educada de forma “Bancária” e no Regime Militar, dificultando o seu desejo de promover uma educação democrática e participativa.
A educadora Anamélia Mota, uma das mais bem conceituadas do Município de Tauá, inquieta com este contexto, sonha em proporcionar aos educadores uma nova visão e ao mesmo tempo uma nova proposta de atuação do educador em sala de aula, e na vida, visto que ela propõe neste trabalho a ultrapassagem das paredes da sala de aula.
À medida que o leitor for avançando e viajando pela leitura desta obra perceberá a riqueza de uma experiência profissional que sem dúvida se assemelhará com a experiência de milhares de educadores e educadoras embora cada uma tenha uma singularidade na sua essência.
A cada tema sugerido tido pela autora é introduzido com um pensamento de um grande escritor de nossa história, possibilitando uma reflexão por parte do leitor.
A autora ainda propõe a cada leitor e especialmente ao educador que fizer uso desta obra, ultrapassar a visão do professor que se coloca na posição de achar que ensina algo a alguém, como se o educando fosse “uma tábua rasa”, e chegar a uma nova visão, onde a educação é vista como um processo onde educando e educador vão construindo juntos através da troca de experiências, vivências coletivas e individuais que vão se dando nos mais variados espaços sociais.
Apresenta ainda propostas metodológicas e conta experiências vividas e concretas.
Boa leitura e bom uso desta obra prima inédita!
Pe. José Medeiros da Silva
Tauá - CE, abril de 2003
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
LER, ESCREVER E CALCULAR: REFLEXÔES PSICOPEDAGÓGICAS
Anamélia Custódio Mota - Discurso Lançamento
Boa noite a todos que deixaram seus afazeres para se fazerem presentes neste ato de lançamento de nosso livro, Ler escrever e calcular: reflexões psicopedagógicas.
Um encontro como o desta noite é a prova de que existe uma preocupação com a realidade a que nos propomos pesquisar. E mais do que isso, um compromisso de educadores em prol de uma causa social: o combate ao analfabetismo.
Dois anos se passaram desde o lançamento de Educação: leis planos saberes e práticas...
Mais uma vez nos expomos através de um livro, que não é um trabalho individual, como os senhores e as senhoras verão, mas, uma reunião de idéias de vários escritores entre eles, vários alunos, peça fundamental de nossas preocupações.
Nossa ação no presente está dirigida em favor das classes menos favorecida, temos bastante consciência para não nos deixarmos levar pelos primeiros gritos. Demais, como estamos dentro do nosso programa, só dentro dele admitimos censuras. Para isso, porém, só aceitamos a palavra autorizada dos mestres que, nessa emergência, só poderá estar conosco.
Agradecemos de modo especial a professora Célia, a quem primeiro procuramos quando da intenção de tornar público essas nossas anotações, teóricas e práticas. E nos deu a honra do prefácio.
Nossos agradecimentos à professora Marbênia, a quem reafirmamos ter sido lâmpada na caminhada do curso de pedagogia. e nos deu a honra do posfácio, encontrado na orelha da contra capa.
Agradecemos a prefeita Patrícia, que se dispôs a dar apoio cultural para que fosse viabilizada a publicação da obra. A concretização se deu com o sim da coordenadora do Cred XV, Lindomar a quem a educação pública do Tauá muito deve.
Tem uma pessoa que, sempre esteve presente nos momentos de reflexão da (minha) prática pedagógica, especialmente nas aulas de português e história. A quem dedico o presente livro, a maior mestra do Tauá: Dalva Mendes Coutinho (Irmã Mendes).
Tem certas coisas que são muito fortes na vida da gente, às vezes uma pequena frase... E foi justamente uma frase da professora Aureamélia, “Continue escrevendo, não desista”, que me fez continuar. Muito obrigada! Uma honra tê-la conosco.
Agradecemos a Gráfica e Editora Canindé, de nossos conterrâneos Iran e Lulu que incondicionalmente aceitaram fazer a publicação.
Presto neste livro, com a licença da professora Vilani, uma homenagem especial ao papai, pela via sacra que ele tem vivido... E que na medida do possível temos acompanhado.
Peço licença aos colegas do curso de especialista em História e Sociologia para aqui contar uma história de Gabriel Garcia Márquez:
“Era uma aldeia de pescadores, perdida nos confins do mundo,
1. Uma aldeia em que as pessoas haviam sido comidas pelas mesmas rotinas que se repetiam todos os dias.
2. E quando se encontravam umas com as outras, não mais sorriam, porque já sabiam diante mão o que iriam dizer, os gestos que iam fazer.
3. Era uma monotonia sem fim, da qual fugira toda alegria, todo riso, toda festa.
4. E as pessoas eram tristes...
5. Até que um dia um menino olhou para o mar e viu coisas estranhas. E gritou e chamou as pessoas da Aldeia. Curiosas, imaginando que qualquer coisa seria, pelo menos, uma quebra de monotonia. O mar subindo e descendo, sem pressa, foi trazendo aquela coisa, até que a colocou sobre a areia”.
6. E para espanto de todos era um homem morto.
7. E com homem morto só existe uma coisa a fazer: ENTERRAR.
8. E o costume era que as mulheres preparassem os mortos para o sepultamento.
9. E os maridos que estavam ao lado de fora, olhando para dentro, perceberam que o morto tinha o poder de fazer com as suas mulheres aquilo que eles, mortos vivos não podiam mais...
Se nos apoderarmos de algumas idéias contidas nessa historinha e as analisarmos dentro de nossa prática pedagógica certamente reverteremos a nossa cara carrancuda e nós e nossos alunos seremos mais felizes.
Espero e desejo que não seja esse o caso da escola e da rotina de cada um de nós.
Muito obrigada a todos pela presença.
Um grande abraço.
Anamélia Custódio Mota
Tauá - CE, Teatro e Cine São José, 09 de junho de 2005
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
TAUÁ: MARCO PASSAGEM DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX
MOMUMENTO COMEMORATIVO DA PASSAGEM
DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX
DO SÉCULO XIX PARA O SÉCULO XX
EM HOMENAGEM A JESUS CRISTO REDENTOR
(Vigário Joaquim Ferreira de Melo)
Acontecimento majestoso, sublime, antes para se apreciar que para descrever, foi o que no dia 27 de novembro de 1900, arrebatou o povo Tauaense de seus mansos lares e o transportou às alturas, talvez de 400 metros , ao píncaro de gigantesco penedo, que demora a oeste desta Villa a pouco distância.
Oh! Arrogante pedra, reconhece o poder insondável da Fé; tu tens a altivez que a natureza sabe dar a seus caprichos, talvez te julgasses até hoje invulnerável, mas d´ora em diante estás obrigada a mostrar ao mundo a onipotência da fé, e ao mesmo tempo a fraqueza do que não é sobrenatural...
Plácido e sereno despontou o memorável 27 de novembro. Celebrada a Santa Missa pelo feliz êxito da empresa, partiram do campanário sagrado festivos sons convidados o povo a seguir caminho fazenda “Humaitá”, para dali transportar o grande madeiro que, sendo por si bastante pesado, tornou-se leve nos braços do entusiasmo cristão.
Surpresa foi desagradável ver-se que limitado era o numero de homens para arcar com o sagrado sinal de nossa fé, mas não pode compensar a ver se saírem de todas veredas que davam para o itinerário traçado, grupos de fies que jubilosos porfiavam em ajudar a levar o sagrado fardo. Em pouco tempo chegou-se a encostar do monte, e com pouco trabalho chegou-se ao topo, no lugar chamado Boqueirão da Gameleira. Um pequeno desvio demorar a viagem, mas talvez tenha também vindo facilitar o transporte da Cruz, por caminho mais longo sim, mas certamente menos pedregoso.
Era belo ver-se todo um povo dominado pelo mesmo entusiasmo, comungando a mesma alegria, animado da mesma fé: um cortava de foice um arbusto que tolhia a passagem, outro rolava uma pedra que fazia tropeço, que procurava lugar mais conveniente, que soltava estridentes e animadores vivas a SS. Virgem, Mãe de Deus, a Jesus Christo, Redentor e a Santa Religião Católica Apostólica Romana.
Era belo ver-se todo um povo dominado pelo mesmo entusiasmo, comungando a mesma alegria, animado da mesma fé: um cortava de foice um arbusto que tolhia a passagem, outro rolava uma pedra que fazia tropeço, que procurava lugar mais conveniente, que soltava estridentes e animadores vivas a SS. Virgem, Mãe de Deus, a Jesus Christo, Redentor e a Santa Religião Católica Apostólica Romana.
Começa-se então a subir a pedra que se eleva 40 metros acima do monte; até certo ponto ainda foi o lenho em braço, mas um último degrau devia ser galgado por meio de cordas, o que em um relance foi executado, aumentando o entusiasmo dos espectadores que viram a ingente haste resvalar docemente e que dar-se onde devia ficar erecta. Seriam oito horas da manhã, pouco mais ou menos.
Nas duas horas que houve de intervalo entre a elevação da Cruz e sua ereção, serviu-se a pequena, mas pitoresca refeição que cada um levara previdentemente de casa.
Tudo paz, tudo harmonia. Enquanto os oficiais preparavam o necessário para o levante da Cruz uns contemplavam a altura a que se achavam, outros apontavam as fazendas conhecidas na distância de duas, três e mais léguas, qual mostravam as três verdes fitas dos rios Tricy, Carrapateiras e Favela juntando-se num só possante Jaguaribe, qual fazia tristemente a consideração de que aquele era o único verdor que restava nesta desolada região, e do coração lhe saia uma prece pedindo ao Senhor de todo o credo, que fizesse descer o orvalho do céu, que mudasse o lúgubre cenário em que se estava; aqui, acolá grupos que amistosamente conversaram sobre tão notável acontecimento, além, nas amais agudas pontas intrépidos trepadores saudavam a vastidão do horizonte que nunca tinha visto tão belamente imenso.
A pequena, mas bem sofrível música, a espaços, enchia os ares de harmoniosos acordãos e o coração da multidão de mais um contingente de júbilo.
Deste doce enlevo fomos arrancados pelo grito de – já vão levantar a Cruz – todas vistas dardejavam para o grupo que guindava o imponente madeiro. Mais um minuto e começou-se a ver elevar-se a parte superior da Cruz puxada por duas cordas e sustentada por uma poderosa thesoura.
Um com povo muito superior calou a multidão para só se ouvir a manobra de mestre do ofício a correspondência do que trabalhavam no ato.
Depois de ter a Cruz descrito meio caminho, em sua jornada ascendente, sentiu-se no espírito um esfriar de idéias contrárias – medo e ânimo, sem que a doce esperança pudesse tomar assento nesse rodopiar de contradições: era a Cruz que tinha parado suspensa no ar, por quatro minutos talvez, porque os da tesoura receavam desce-la, temendo que a Cruz caindo os esmagasse, e nisto se estava quando um viva descompassadamente caloroso irrompeu de todos os lábios de escolta com o rouco tiro de enorme bomba real acompanhada de não pequena girândola, coroando tudo o gracioso e entusiasmado dobrado “catolé” habilmente executado: a Cruz tinha caído no fosso, estava em pé; só faltava a aprumar e calçar. Eram talvez dez horas.
A convite da música, todos juntos tomaram caminho da Vila. Olhares repassados de saúde se dirigiam de vez em quando para a graciosa Cruz cheia de sublime majestade, que parecia afastar-se de nós, quando nós é que nos alongávamos dela.
No caminho eram os mais agradáveis comentários: uns notavam a serenidade do tempo, e se rejubilavam de ter tido o astro rei a delicadeza de não nos incomodar com seus raios abrazadores, outros lembram que nem um incidente desagradável ouve que viesse partir nossa felicidade, cada qual, enfim, sentia no coração alguma cousa de insólito que não sabia exprimir.
Um só grupo de homens, mulheres e meninos, entrou na Vila todo radiante de entusiasmo, proporcionando aos que não tinham podido ir ao Quinamuiú, um espetáculo de desusado atrativo. Chegados que fomos a nossa humilde porta, depois de jubilosos vivas a Nossa Senhora do Rosário e a Jesus Cristo, redemptor, dispersou-se o povo levando n’alma a memória de tão solene festa e no coração mais acendrado amor a Jesus Cristo, ao qual seja dada toda honra e toda glória por todos os Séculos.
Vigário Joaquim Ferreira de Melo
Vila de Tauá, 03 de dezembro de 1900
Livro da Paróquia de Tauá
*****
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
FRANCISCA CLOTILDE (À MINHA MÃE, 1882)
Francisca Clotilde `A MINHA MÃE
(Hy a dans la vie des jours qui
passent mais dont le souvenir nous
accompague au tombeau).
Quero hoje relembrar o meu passado
Este tempo feliz e tão amado
Que outr’ora frui:
Chorar inda uma vez santos amores
Regar com prantos as fanadas flores
Que em botão colhi.
Oh ! meu tempo de infância tão risonho
Qual lindo perfumado e ameno sonho
Tu passaste subtil !
Mas não posso olvidar-te um só momento
A ti busca saudoso o pensamento
Oh ! meu risonho abril !
Quantas vezes, oh! Mãe, em doce enleio,
Nessa quadra feliz junto ao teu seio
Contente repousava,
De teus lábios ouvia as falas puras
Que me enchiam a infância de venturas
E feliz me julgava.
E depois de sentir os teus desvelos
De ouvir teus doces, maternais conselhos
Que n’alma recolhia
Ia em busca das flores as mais finas
Das brancas rosas, das gentis boninas
Que para ti colhia.
E vivia feliz !.., À sombra amante
De teu carinho imenso e tão constante
Achava um doce abrigo,
Mas em breve trocou-se o riso em pranto
Desfez-se de repente o ledo encanto
Tu baixaste ao jazigo.
Fugiram-me as venturas que sonhava,
O porvir das delicias que esperava
Tornou-se uma ilusão:
Desde que baixaste a campa sinto n’alma
Uma dor tão cruel que nada acalma
Que punge o coração
Mas sempre me acompanha tua imagem,
Em horas de tristeza é a miragem
Que alenta meu sofrer;
Foi ela que guiou-me a felicidade
Que sempre pela senda da verdade
Guiou o meu viver.
O que é nossa mãe? Bem sem igual
Neste mar de ilusão é o fanal
Que nos guia o viver;
É a estrela luzente, esplendorosa
Que em noite escura, feia e borrascosa
Deus fez aparecer !
E tu oh ! minha mãe, que lá nos céus
Já habitas feliz aos pés de Deus
Enquanto eu choro aqui
Prepara para mim entre esses gozos
A paz dos loiros querubins, formosos
Um lugar junto a ti.
Francisca Clotilde. Cf: Gazeta do Norte. Fortaleza, 20/09/1882 – p. 03
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