domingo, 26 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
ANTOLOGIA DE POETAS TAUAENSES
EDSON MASSILON - POETA TAUAENSE
LEMBRANDO... LEMBRANDO
Lembrando o bom Jesus o sofrimento
Que da humildade verte a salvação,
Lembro o peregrino em seu juramento,
Que pela fé, firme segue a missão!
Lembrando o bom Jesus o ensinamento
Que da Caridade emana a oração,
Lembro o órfão em seu grande sofrimento,
Que da vida é um paria, nosso irmão!
Lembro o Mestre com seu sorriso ameno
Que fluidos gera a Paz toda esperança,
Faço um apelo, um clamoroso aceno...
Que eu seja, Senhor, qual a criança
E, do teu meigo olhar ó Nazareno!
Nos venha o amor, a fé e doce bonança!
Edson Massilon. Coisas do Meu Sertão, p. 09.
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Que da humildade verte a salvação,
Lembro o peregrino em seu juramento,
Que pela fé, firme segue a missão!
Lembrando o bom Jesus o ensinamento
Que da Caridade emana a oração,
Lembro o órfão em seu grande sofrimento,
Que da vida é um paria, nosso irmão!
Lembro o Mestre com seu sorriso ameno
Que fluidos gera a Paz toda esperança,
Faço um apelo, um clamoroso aceno...
Que eu seja, Senhor, qual a criança
E, do teu meigo olhar ó Nazareno!
Nos venha o amor, a fé e doce bonança!
Edson Massilon. Coisas do Meu Sertão, p. 09.
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Ali, represo ao pé de colossal barreira
Grande volume d’água, esparsa junto à vila,
Com flavo brilho de ouro enfeita-se e rutila
Do sol à projeção melífua, derradeira.
E o sol no ocaso imerge. A superfície inteira,
D’água não mais tresluz serena, mui tranqüila.
Da noite já o sedal escuro vem cobri-la,
E enfim todo o esplendor esvai dessa maneira.
Se foge uma esperança, uma ilusão ou crença
Que temos, qual farol, na senda desta vida,
E assim foge seu brilho excelso num momento.
Vem-nos do desengano a espessa treva imensa
Também nossa alma cai descrente, amortecida,
No negro pesadelo, atroz desalento.
(Sebastião Cavalcante. Revista Fortaleza, abril 1907)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=10498&v=1
Grande volume d’água, esparsa junto à vila,
Com flavo brilho de ouro enfeita-se e rutila
Do sol à projeção melífua, derradeira.
E o sol no ocaso imerge. A superfície inteira,
D’água não mais tresluz serena, mui tranqüila.
Da noite já o sedal escuro vem cobri-la,
E enfim todo o esplendor esvai dessa maneira.
Se foge uma esperança, uma ilusão ou crença
Que temos, qual farol, na senda desta vida,
E assim foge seu brilho excelso num momento.
Vem-nos do desengano a espessa treva imensa
Também nossa alma cai descrente, amortecida,
No negro pesadelo, atroz desalento.
(Sebastião Cavalcante. Revista Fortaleza, abril 1907)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=10498&v=1
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Tu desceste dos céus e aos céus te volves
Num grande impulso do mais santo Amor
Do teu carinho os corações envolvem
Rios de luz que vem do Criador.
Gênio dos pobres, da miséria e horror
Foges ao teu jeito e as dúvidas resolves
Tornas a mágoa em risos, o espinho em flor
Do mundo as dores íntimas resolve.
Beijas a fonte da orfãzinha loura
O teu olhar é como o sol que doura
O monte, o vale e a terra toda em luz
Os homens unes num convívio terno
Crias o céu, a paz, o gozo eterno
Oh! Caridade, Oh! Filha de Jesus!
(Francisca Clotilde. Revista A Estrella, agosto de 1910)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=9969
*****
TRIUNFAL
Pudesse eu copiar no mármore divino
Do verso, essa beleza helênica que eu vejo
Como a provocação mais viva do desejo
Sob a forma ideal de um corpo feminino!
E assim perpetuar o encanto peregrino
Que de ti se irradia e me oferece ensejo
De morrer a teus pés, suplicando o teu beijo,
A cantar-te o esplendor num derradeiro hino!
E, expirando, lega às gerações futuras,
No verso eternizada, – a plástica radiosa
Que te furta ao vulgar das outras criaturas!
Mas, a te descrever não se me anima a idéia,
Que uma beleza assim, tão grande e majestosa,
Não cabe em madrigais: faz jus a uma epopéia!
(Eufrásio de Almeida. Revista A Constelação. Fortaleza, nov. 1912)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=11100
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Num grande impulso do mais santo Amor
Do teu carinho os corações envolvem
Rios de luz que vem do Criador.
Gênio dos pobres, da miséria e horror
Foges ao teu jeito e as dúvidas resolves
Tornas a mágoa em risos, o espinho em flor
Do mundo as dores íntimas resolve.
Beijas a fonte da orfãzinha loura
O teu olhar é como o sol que doura
O monte, o vale e a terra toda em luz
Os homens unes num convívio terno
Crias o céu, a paz, o gozo eterno
Oh! Caridade, Oh! Filha de Jesus!
(Francisca Clotilde. Revista A Estrella, agosto de 1910)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=9969
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TRIUNFAL
Pudesse eu copiar no mármore divino
Do verso, essa beleza helênica que eu vejo
Como a provocação mais viva do desejo
Sob a forma ideal de um corpo feminino!
E assim perpetuar o encanto peregrino
Que de ti se irradia e me oferece ensejo
De morrer a teus pés, suplicando o teu beijo,
A cantar-te o esplendor num derradeiro hino!
E, expirando, lega às gerações futuras,
No verso eternizada, – a plástica radiosa
Que te furta ao vulgar das outras criaturas!
Mas, a te descrever não se me anima a idéia,
Que uma beleza assim, tão grande e majestosa,
Não cabe em madrigais: faz jus a uma epopéia!
(Eufrásio de Almeida. Revista A Constelação. Fortaleza, nov. 1912)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=11100
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PACIÊNCIA
TAUÁ
Sou de Tauá eterno apaixonado
Amante do sertão como ninguém
Eu sempre serei mui afeiçoado
A terra de onde vim, e do meu bem.
Sonhos mais lindos sonhos coloridos
Pastagens, animais, roças em flor –
Milho, algodão, feijão, arroz florido,
De galhos em galhos, aves, beija-flor...
Do passado distante inda presente,
Muita, muita saudade a gente sente,
Como da meninice o aniversário:
Bolo, bola, peteca, cirandinha,
Da fazenda da vovó Senhorinha,
De minha mãe as contas do rosário.
Irmã dos pobres, terna e doce amiga
Dos tristes, dos vencidos, dos descrentes;
Dos que um destino avesso desabriga
E andam na vida assim como desmentes.
Que a tua afável luz sempre me siga,
E as minhas dores mudas adormentes,
Que eu sempre te abençoe e te bendiga,
Irmãzinha dos velhos e dos doentes.
Toda a razão do amor tu concretizas:
Quando o conforto espalhas entre os seres,
E as agonias fundas amortizas.
Tu, que de consolar nunca te cansas,
Bendita sejas sempre, só por seres
Semeadora eterna de esperanças.
*****Dos tristes, dos vencidos, dos descrentes;
Dos que um destino avesso desabriga
E andam na vida assim como desmentes.
Que a tua afável luz sempre me siga,
E as minhas dores mudas adormentes,
Que eu sempre te abençoe e te bendiga,
Irmãzinha dos velhos e dos doentes.
Toda a razão do amor tu concretizas:
Quando o conforto espalhas entre os seres,
E as agonias fundas amortizas.
Tu, que de consolar nunca te cansas,
Bendita sejas sempre, só por seres
Semeadora eterna de esperanças.
TAUÁ
Sou de Tauá eterno apaixonado
Amante do sertão como ninguém
Eu sempre serei mui afeiçoado
A terra de onde vim, e do meu bem.
Sonhos mais lindos sonhos coloridos
Pastagens, animais, roças em flor –
Milho, algodão, feijão, arroz florido,
De galhos em galhos, aves, beija-flor...
Do passado distante inda presente,
Muita, muita saudade a gente sente,
Como da meninice o aniversário:
Bolo, bola, peteca, cirandinha,
Da fazenda da vovó Senhorinha,
De minha mãe as contas do rosário.
.
(Aurélio Loiola, Acontecência, Fev. de 2003)
http://www.sonetos.com.br/sonetos.php?n=10383A MULHER NA POLÍTICA (FRANCISCA CLOTILDE)
A MULHER NA POLÍTICA
Hoje, que o movimento progressista da humanidade se tem desenvolvido de modo extraordinário e animador, não é de estranhar que a mulher, deixando-se arrastar na onda de entusiasmo, fique ao lado do homem na luta pelas boas causas.
Desde os tempos mais remotos, vemo-la desempenhar um importante papel, apesar de ser considerada frágil e inconstante pelos espíritos pessimistas.
A história bíblica fala-nos de Débora doutrinando o povo à sombra das palmeiras e dando-lhes planos de batalha para repelir o inimigo; mostra nos a linda viúva de Betúlia que, inspirada por Deus, penetrou no campo dos Assírios e conseguiu degolar o general Holofernes.
Ao lado de Judite de destaca-se a figura não menos gentil de Ester que com uma diplomacia encantadora conseguiu vencer Assuero e salvar seus irmãos oprimidos.
A coragem de mãe dos Macabeus alia-se ao valor da mãe de Gracos, que ia ao templo agradecer aos Deuses em vez de prantear a morte dos filhos em defesa da Pátria.
Clotilde, a esposa de Clóvis, foi fundadora da monarquia francesa e à sua influência deveu a França um período de prosperidade e de vitórias.
Foi o próprio Deus que arrancou a pastorinha de Domremy à placidez de sua vida simples e atirou-a no campo da luta para fazer sangrar Carlos VII e salvar o império francês.
O nome de Joana D’Arc é venerado por todos e a Igreja a colocou entre os bem aventurados porque o seu patriotismo irradiava os reflexos da virtude mais sólida, de pureza mais angelical.
Foi Catarina de Médicis a instigadora fanática dessa tragédia horrorosa que fez correr o sangue dos huguenotes na Saint Barthélemy e, quando a França se debatia agitada convulsionada na revolução cujo advento foi a tomada da Bastilha, as mulheres inflamaram-se e acompanharam os cidadãos nessa tentativa audaciosa de tomar a fortaleza secular sem temer os canhões, nem a guarda real, auxiliando, animando, batendo-se ao lado dos defensores da causa do povo.
Théroige de Mericourt, a revolucionária das ruas sobressaia nas caminhadas populares e foi Mme. Roland´ a alma da revolução cujo cérebro idealizava planos da mais alta política entre os Girondinos e cuja cabeça ao cair no cadafalso ainda teve lampejos de inteligência pelo bem do povo.
Em que pese aos obscuristas, o tempo do fuso e da roca já desapareceu na voragem do passado e hoje a mulher, se não tem o direito de se apresentar nos comícios eleitorais, porque a lei não lh’o quis ainda conferir, tem o direito sagrado de acompanhar o homem, máxime quando ele se bate pela pátria em seus dias nefastos e trabalha pela liberdade e pelo progresso.
Por que estranhar que se tenha criado a Liga Feminina em prol de uma candidatura que é a esperança de um Estado oprimido e digno de melhor sorte?
Porque censurar as manifestações a que as próprias crianças se associam com o sorriso nos lábios e a inocência lhes irradiando na fronte?
Falem contra a mulher cearense; eu aplaudo-a porque confio que a sua presença nestas festas populares é um prenúncio de triunfo para a boa causa e concito-a reanimar o valor de seus filhos e a ensinar-lhes que, acima dos governos mal inspirados, está a imagem da Pátria pedindo amor e sacrifício, impondo-se à nossa veneração, pairando serena e controlada como o céu que se desdobra sobre nossas cabeças lembrando-nos que Deus para reunir a humanidade teve também o concurso sublime de uma mulher que Ele colocou à sua destra, acima de todas as criaturas, no fastígio da glória e da imortalidade.
F. Clotilde. Pelo Cerrá. Aracati, 1912 pp. 2-5.
ARAÚJO. Maria Stela Barbosa. Mulheres do Brasil. Vol. 01, Fortaleza, Editora Henriqueta Galeno 1971, pp. 240-242.
MOTA. Anamélia Custódio. FRANCISCA CLOTILDE: Uma Pioneira na Educação e na Literatura no Ceará. Canindé, 2007 pp. 94-95.
Esse ano de 2012, comemora-se no Brasil os 80 anos do direito ao voto pelo sexo feminino, comemora-se também o Sesquicentenário de Nascimento da escritora Francisca Clotilde.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
FRANCISCA CLOTILDE: PREFÁCIO (Por Rosângela Ponciano)
FRANCISCA CLOTILDE
Receber o convite para prefaciar este livro para mim foi motivo de extremo contentamento, mas ao mesmo tempo, me proporcionou uma sensação de insegurança quanto ao texto que iria ser construído, já que nunca produzira algo nesse sentido. No entanto, um impulso interior me fez aceitar prontamente, pois o nome de Anamélia Mota prenuncia um trabalho, sério, profundo, persistente, até.
Lembro-me da primeira vez em que conversei com a escritora. Foi através do telefone. Ela falava de Tauá e conseguira o meu número, através de um amigo do teatro que havia estado naquela cidade. O motivo era o mesmo que durante anos me aproximara de tantas pessoas: Francisca Clotilde.
Seguiu-se, então, um número sistemático de ligações, e-mail's e cartas da escritora, em busca de dados sobre a matriarca das Clotildes. Na medida do possível, eu enviava as informações solicitadas, que iam enriquecidas por imagens e peculiaridades da nossa querida “estrela”.
Vi, ao longo de todo esse tempo, a escritora Anamélia se debruçar sobre os apontamentos resultantes de uma varredura nas bibliotecas e acervos de Tauá, Fortaleza, Baturité e regiões vizinhas. Um trabalho meticuloso, paciente e investigativo. A escritora não se abatia diante das dificuldades encontradas como conseqüência de um longo período de silêncio por parte de muitos escritores e pesquisadores. Cada informação, cada dado colhido cuidadosamente, era imediatamente enviado para mim e trocávamos registros, suposições e constatações. Um trabalho difícil, porém extremamente prazeroso e encantador.
Percebi que acontecera com a escritora Anamélia o mesmo que já havia detectado em boa parte das pessoas com quem mantive contato, ao longo dos anos, por ocasião das pesquisas: o surgimento de uma paixão, eu diria amor, por Francisca Clotilde. Neste caso era diferente, parecia estar mais acentuado. Até nos últimos minutos da noite as ligações surgiam provenientes de Tauá. Alguns dados eram novos até para a própria família. As informações diziam respeito não só à autora de ‘A Divorciada’, mas se estendiam às produções de seus filhos e a registros em revistas da época. O quebra-cabeças estava, finalmente, sendo construído.
Fui uma das primeiras pessoas a ter o conteúdo deste livro nas mãos e a cada página, a cada assunto abordado pude ter a certeza de que as informações eram enriquecedoras e nos permitiam uma abordagem mais ampla sobre a trajetória que Francisca Clotilde construiu de Tauá a Aracati, onde deixou seus descendentes.
Ver a publicação deste livro me deixa extremamente feliz. É um registro sério que vem reunir informações antes fragmentadas, agora cuidadosamente organizadas que vêm dar suporte a tantos pesquisadores inquietos com a ausência de maiores dados sobre Clotilde. A leitura é instigante e nos permite, em certas ocasiões, experimentar a sensação de voltar no tempo que a querida professora, escritora e poetisa abolicionista ajudou a construir com mãos, gestos e atitudes íntegras, ao longo dos setenta e três anos em que esteve entre nós, seja através do Externato Santa Clotilde, nas páginas da revista centenária, A Estrella, nos seus contos, poemas, dramas ou nos fatos pitorescos, aqui narrados, que nos falam da “doce velhinha” que acolhia a todos, sempre com um sorriso a nos ensinar, humildemente, a linguagem do amor e da evolução do ser humano, na construção de um mundo melhor.
Não cairia na imprudência de dizer que é um livro completo, pois conhecendo a escritora Anamélia Mota como eu conheço, sei que continuará, incansavelmente, a sua pesquisa nos proporcionando, quem sabe num futuro próximo, a oportunidade de conhecer mais informações que irão dar seqüência a este livro tão precioso em detalhes. Posso dizer, no entanto, que se trata de um resultado encantador pelo teor que contém e que, há anos, vem sendo aguardado algo nesse sentido por pesquisadores e admiradores da mulher Francisca Clotilde.
Rosângela Ponciano
Aracati - CE, 10 de agosto de 2007
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
ADAUTO CAVALCANTE MOTA e ANA CUSTÓDIO MOTA
Adauto e Naninha, 1949 Casamento Civil em Senador Pompeu
Adauto e Naninha Colônia de Férias TELECEARÁ
Adauto e Naninha, 2004 Formatura do neto Ed Wilson
Adauto e Naninha, Tauá, 2005
"Entre as manifestações importantes ou significativas da memória coletiva, encontra-se o aparecimento da fotografia, que revoluciona a memória: multiplica-a e democratiza-a, dá-lhe uma precisão e uma verdade visuais nunca antes atingidas, permitindo assim guardar a memória do tempo e da evolução cronológica".
(Jaques Le Goff)
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