sábado, 3 de março de 2012

A JUSTIÇA ELEITORAL NO BRASIL

EDMILSON BARBOSA  - ADVOGADO - TAUÁ

A JUSTIÇA ELEITORAL NO BRASIL

 "Bendito o que semeia livros, e manda o povo pensar..."
 (Castro Alves)

PREFÁCIO

O Professor Edmilson Barbosa oferece ao mundo jurídico valiosa contribuição, ao discorrer sobre o papel da Justiça Eleitoral na sociedade brasileira. Analisa a motivação para sua criação, as funções administrativas que desempenha, pondo em realce a impossibilidade de o magistrado eleitoral aplicar sanção de ofício, no exercício do poder de polícia que lhe é reconhecido.
Não passou despercebido ao autor a necessidade de preservação do “direito subjetivo a eleições isentas” que cabe à Justiça Eleitoral assegurar, excluindo da disputa aqueles que comprovadamente cometem ilicitudes comprometedoras da normalidade do processo eletivo. Insurge-se ele contra a utilização do poder geral de cautela para emprestar efeito suspensivo a recurso eleitoral, reclamando maior atenção à norma do art. 257, do Código Eleitoral que prevê apenas efeito devolutivo aos recursos manejados nessa jurisdição. O adiamento da execução de decisão condenatória é tido como fator para descrença na própria política “como meio de realizar o interesse coletivo.”
Na verdade, a finalidade precípua da Política é a realização do bem comum. Essa compreensão, porém, é pouco difundida na sociedade, daí a sequência de aberrações praticadas por pessoas investidas no poder a despeito de condenadas nas instâncias inferiores, tendo, portanto, já demonstrado toda a sua propensão para a criminalidade.
Mereceu especial atenção do autor a análise da função normativa da Justiça Eleitoral prevista no art. 23, IX, do Código Eleitoral. No exercício dessa atribuição, informa a edição de “mais de 22 mil resoluções”, muitas vezes, alternando o processo eleitoral às vésperas do Pleito.
Mudanças de regras bem próximo das eleições representam graves riscos à própria estabilidade da democracia, ainda quando se alegue falta de ofensa ao princípio da anualidade consagrado no art. 16, da Constituição. A improvisação não pode ser tolerada em se tratando de disciplinamento do acesso ao poder mais relevante da sociedade: o poder político.
A vida nacional tem sido impactada por resoluções produzidas pelo TSE. A perda do mandato por desfiliação, a criação da verticalização, entre outras, são inovações advindas do poder normativo da Justiça Eleitoral. O ativismo judicial é uma realidade na sociedade contemporânea. A política é exercitada pelos residentes no território do Estado. Tem este por atribuição produzir o Direito, cujo campo de incidência alcança até as ações políticas. As ações dos homens, no exercício do poder, não podem, assim, sobrepor-se à ordem jurídica, daí a crescente intervenção do Judiciário nos temas políticos.
A veiculação da chamada “lista suja” de candidatos pela AMB, nada mais traduz do que a preocupação de juízes lúcidos com o destino da sociedade brasileira, cujo comando - o próprio bom senso sinaliza - não pode ser entregue a pessoas comprovadamente criminosas. A indiferença com essa questão, no passado, por certo, contribuiu para o preocupante descrédito da sociedade em relação à classe política, responsável pela condução do destino da nação. Sem políticos idôneos, o grupo social perde o referencial para uma convivência harmônica pela supressão dos valores que dignificam  o homem.      
O professor Edmilson expôs, em sua obra, a posição da Suprema Corte sobre resoluções editadas pelo Judiciário. O propósito dessas normas produzidas fora do Poder Legislativo tem sido assegurar a força normativa da Constituição. Na busca de garantir efetividade ao Texto constitucional, a Justiça Eleitoral tem, efetivamente, substituído o legislador em decorrência de sua prolongada inércia em relação a temas geradores de angústia no grupo social.
Um registro, por fim, parece oportuno. A sociedade cada vez mais percebe que não basta conhecer profundamente o sistema jurídico de um país para alguém ser considerado um grande jurista. É essencial que também tenha impregnado, no seu coração, o compromisso com a realização do ideal de justiça. Sem isso, cedo ou tarde, acabará soterrando o Direito por razões, muitas vezes, inconfessáveis.
O autor não apenas enriquece o Direito Eleitoral com a presente obra, mas, igualmente, como jurista, tem orgulhado sua geração pelo permanente compromisso com a propagação da Ética e pela postura de luta pelo engrandecimento do Direito, demonstrada através da decência com que tem pautado sua atuação nas lides forenses.
Fortaleza, julho de 2008
Djalma Pinto
Ex- Procurador Geral do Estado do Ceará,
Professor de Direito Eleitoral da FESAC –
Fundação da Escola Superior da Advocacia do Ceará.

sexta-feira, 2 de março de 2012

APRESENTAÇÃO DO LIVRO TROVAS E VERSOS BÍBLICOS


ANAMÈLIA CUSTÓDIO MOTA
Trici Clube de Tauá, 17/11/2011
Apresentando o livro de: AURÉLIO RODRIGUES DE LOIOLA
 
Meus senhores e minhas senhoras
Boa noite!


A mim me coube a grata satisfação da apresentação desta Obra Trovas e Versos Bíblicos (a décima sexta) do professor, escritor/poeta Aurélio Rodrigues de Loiola.


Trovas e Versos Bíblicos é de fácil e agradável leitura, escrita de maneira singela, está repleta de episódios inusitados e pitorescos do cotidiano da vida do autor.


Nos fala da família, dos amigos, de Tauá, de Maria Farinha. Do seminário, do Colégio Selesiano, de suas viagens: ao Ceará, à capital federal, a outros estados brasileiros e ao Exterior.


Logo no início o poeta Aurélio Loiola dedica versos a sua GENA e diz assim: “Te vejo todos os dias/ nas rosas do meu jardim/ entre sonhos e utopias/ te escolhi para mim”.


Da Família: ”O Valdemar é um herói/ sertanejo destemido/ nos Bezerros é o Patriarca/ um lutador aguerrido”.


Da Imprensa: 1. “A Flaviana radialista/ ligeirinha como um raio/ é uma mulher altruísta/ ao lado do seu Sampaio”.
2. “O mestre Radir é grande/ um homem batalhador/ Radialista nota dez/ trabalhando com amor”.
3. O Alverne é nota dez/ na cidade de Tauá/ radialista competente/ na Tricy do Idemar”.


Da Gratidão: “A gratidão é virtude/ de qualquer um ser cristão/ quem não tem essa atitude/ é pobre de coração”.


Por falar em gratidão, eis que trago o poema PADRE ODORICO DE ANDRADE:


“Padre Odorico de Andrade/ Foi um Santo Sacerdote/ Trinta anos em Tauá/ Para o povo um holofote.
Às vezes o acompanhava/ Em suas celebrações/ Com o bem ele sonhava/ E fazia bons sermões.
Ao sair do seminário/ Ele ficou muito triste/ Como Jesus no Calvário/ Para Deus sempre conquiste.
Meu preito de gratidão/ A este meu protetor/ Me mandou pro seminário/ Lhe sou grato e ao Senhor!


Aurélio enaltece o Ceará quando aborda o tema: Liberdade: “Berço da libertação/ do escravo brasileiro/ foi aqui em Redenção/ bravo Ceará é pioneiro”.


Grécia: A Grécia me encantou/ Pátria da filosofia/ Sócrates, Platão, Aristóteles/ Ricos de sabedoria”.
A segunda parte do livro POEMAS BÍBLICOS, o autor vai de Gêneses até o Novo Testamento. Quantas quadrinhas lindas!
“Eu amo o apóstolo Paulo/ doutrina, literatura/ Antes de Paulo era Saulo/sua poesia e cultura”.
Lucas 2: “ Preparai o caminho do Senhor”/ é a mensagem de São João Batista/ Feliz Natal, com muita paz e amor/ e que Deus nos sorria e nos assista!”.
Em estado de Êxtase finalizo citando outro grande poeta cearense:
“O que vale no Cavaleiro/ não é o seu destino/
de guerreiro imaginário. Ou qualquer feito extraordinário/
Sua lança, seu elmo, seu escudo.
O que vale antes de tudo/ não é o seu perene cavalgar/
por terras e por tempos/ com o ar louco e bisonho.
O que vale nele, invisível, vale - É o sonho!”
(Artur Eduardo Benevides)
Viva o Aurélio Loiola! Viva o nosso Tauá!

O DIREITO DO POVO (POR FRANCISCA CLOTILDE)

Sabedoria popular! Bonitas palavras inteiramente vazias de sentido no apregoado regime das Repúblicas!

Temos o exemplo frisante do que se passa entre nós, neste triste espetáculo que o Brasil apresenta perante as nações cultas da terra. Para que serve o direito do voto? Qual é o fim dos comícios eleitorais?

No entanto, qual é o resultado dessa atividade sagrada e respeitável? Os partidos impõem o reconhecimento de seus adeptos e, embora tenham eles tido a minoria e seja isso um fato claríssimo e indiscutível, saem vitoriosos e vão às câmaras alardear o seu prestígio e apresentam projetos que fazem envergonhar os que dentre eles são mais escrupulosos e menos indignos.

É isto que chamam República? Pobre povo! O teu direito é conspureado a todo instante, só tens que suportar o vexame do imposto, o jogo dos mandões, a prepotência dos chefes que colocam os seus interesses acima de tudo.

Trabalhas para que a tua Pátria tenha soldados e vasos de guerra que a tornem respeitada e, quando é mister o teu sacrifício os homens de farda fazem de ti o alvo de suas carabinas e os encouraçados chegam aos teus portos a fim de bombardearem as tuas cidades?

Sonhas a liberdade e a justiça? Utopias!

Para seres livres é preciso que derrames o teu sangue generoso nas praças e nas ruas, que, esmagues os teus affectos mais fortes indo de armas na mão enfrentar esses irmãos desnaturados que desejam o teu aniquilamento e o teu captiveiro moral.

No dia que acordas como um leão selvagem o teu despertar é terrível.

Derrubas os tiranos, como fizestes a 24 de janeiro e, repugnando-te manchar as tuas mãos com o sangue dos que te esmagavam no furor de seu despotismo, perdoa os desvarios envolvendo-os na esmola de tua misericórdia.

Tudo se encaminha numa corrente fatal para o desprestígio de uma Nação que devia aspirar os mais elevados ideais.

Que ressoe pela imprensa o grito que nos vem do íntimo verberando os desmandos e injustiças com que se celebram os timoneiros da nau governamental.

Será vencido o povo? Continuará a ser vítima do partidarismo egoísta dos maus cidadãos, ameaçado pelas baionetas e pelos canhões?

Deus proteja o Ceará, que atravessa uma fase difícil, e livre os meus patrícios de lutas fratrícidas fazendo-os gozar as delícias de um governo digno e justo[1].



[1] F. CLOTILDE. Pelo Ceará, Aracati, Ceará, 1912 pp. 6-8.
ARAÚJO, Maria Stela B. In: Mulheres do Brasil (Pensamento e Ação) Vol. 1. Fortaleza: Galeno, 1971, pp. 242-243.
MOTA. Anamélia Custódio. Francisca Clotilde: Uma Pioneira da Educação e da Literatura no Ceará. Caninde, 2007.


FRANCISCA CLOTILDE NOMEAÇÕES

FRANCISCA CLOTILDE

TÍTULOS DE NOMEAÇÕES DE PROFESSORES NO CEARÁ


Em 09 de junho de 1882, Registro de título de nomeação interina de Dona Francisca Clotilde Barbosa Lima para a segunda cadeira feminina da Capital.


O Bacharel Sancho de Barros Pimentel, presidente da província do Ceará, nomeia Dona Francisca Clotilde Barbosa Lima para reger interinamente a 2ª cadeira do sexo feminino desta capital. Palácio do Governo do Ceará, aos 09 de junho de 1882. Sancho de Barros Pimentel – Pagou selo de dois mil reis – número 320. Pagar vinte e cinco mil reis de emolumentos. Seção de Arrecadação, 09 de junho de 1882 – Bizarria Brito. Cumpra-se e registre-se – Inspetoria Geral de Instrução Pública, 09 de junho de 1882.
A. Cavalcante.

Fonte: Títulos de Nomeações de Professores (1867-1884)
Arquivo Público do Ceará Ala 02, Estante 19, Livro 350.

REGISTRO DE TÍTULOS

Registro de Título da Formação da 2ª cadeira do sexo feminino da Capital. Dona Francisca Clotilde Barbosa Lima para a cadeira feminina superior anexa à Escola Normal.

Fortaleza, 27 de junho de 1884
Antonio Pinto Nogueira Acioly

Fonte: Títulos de Nomeações de Professores (1867-1884)
Arquivo Público do Ceará Ala 02, Estante 19, Livro 350.

FRANCISCA CLOTILDE (BIOGAFIA SUCINTA)

Francisca Clotilde, Antonieta Clotilde e a turma de alunas do ano de 1921
Foto: Rosângela Ponciano

            Francisca Clotilde nasceu na fazenda São Lourenço, em São João dos Inhamuns*, hoje Tauá, sede do município cearense de Inhamuns, em plena região encravada no polígono das secas no Nordeste brasileiro, no dia 19 de outubro de 1862.
    Filha de João Correia Lima e de D. Ana Maria Castelo Branco. Sua infância decorreu sem maiores incidentes na fazenda, na paz bucólica do sertão.
Por motivo ignorado e sem data precisa, a família muda-se o povoado de Calabôca, serra que viria a ser a cidade de Baturité, onde a menina fez seus primeiros estudos com a professora D. Ursulina Furtado, por quem, ao longo de sua vida, cultivou profunda admiração.
Depois do aprendizado primário, a família muda-se para Fortaleza, onde foi matriculada, no Colégio Imaculada Conceição, já então se fazia notar o seu espírito lúcido e elevado, a sua cultura sólida e brilhante e as suas inclinações literárias e poéticas. Desde o ano de 1877 aparecem trabalhos seus na Imprensa: Pedro II, Almanaque do Ceará.


Atendendo a vontade do pai, como era costume na época, casa-se em 1880, aos 18 anos com Francisco de Assis Barbosa Lima. Pouco se sabe sobre essa união. Já órfã de mãe, nesse mesmo ano perde o pai.

Em 1882 submete-se a exames para professora da Escola Normal Pedro II, então dirigida e orientada exclusivamente por homens. Fazendo provas brilhantes, com distinção em todas as matérias, foi considerada apta para exercer o magistério, carreira com a qual se sentia fortemente inclinada e - fato notável – foi a primeira professora do sexo feminino a lecionar na Escola Normal, com apenas 20 anos de idade.
Era Diretor desse educandário, àquela época, o Sr. José de Barcelos, e foi seu examinador o professor Tomaz Antonio Carvalho, que era lente só para o sexo masculino.
Lecionou na Escola Normal de junho de 1882 até o ano de 1893, quando por perseguição política e outros preconceitos, foi demitida.
Integrante da Sociedade das Cearenses Libertadoras, movimento de caráter abolicionista, fundada em 18 de dezembro de 1882, ora angariando fundos, ora escrevendo panfletos, na terra que primeiro libertou os escravos, foi não tenhamos dúvida, ao lado de Maria Tomázia, uma das pioneiras do movimento abolicionista.
Em primeiro de janeiro de 1883 participou em Acarape (Redenção) da libertação dos escravos daquele município.
Foi figura proeminente do Clube Literário do qual fizeram parte: Duarte Bezerra, Farias Brito, Justiniano de Serpa, Antonio Bezerra de Meneses, Oliveira Paiva, Juvenal Galeno e outros. O Clube Literário manteve na imprensa um jornal A Quinzena, onde Francisca Clotilde publicou vários sonetos, contos e crônicas repassados de lirismo e cheios de beleza.
Colaboradora do jornal O Domingo; surgido em Fortaleza em 1888, onde colaboraram figuras de projeção como Rodolfo Teófilo, Clóvis Beviláqua, Juvenal Galeno e outros.
Redigiu para A Evolução jornal científico e literário, fundado em 1888 dirigido por Duarte Bezerra e Fabrício de Barros. No artigo de apresentação do jornal supra citado, ela afirma: “A evolução é a palavra do século, deve, portanto, ser a bússola do jornalista criterioso”.
Colaborou também no Ceará Ilustrado, surgido a 20 de janeiro de 1894, aparecendo trabalhos seus em meio aos de Álvaro Martins, Sabino Batista, Viana de Carvalho, Juvino Guedes, Alves de Lima, Pedro Muriz, Rodrigues de Carvalho e outros.
Em O Lyrio, de Recife (1902-1904), de Amélia Beviláqua (esposa do jurista cearense Clóvis Beviláqua) com quem tinha laços de amizade; teve poesias e contos publicados.
Defendia idéias liberais democráticas, abolicionistas e republicanas. Tendo demonstrado em vários artigos, contos e poesias sensibilidade diante das diferenças e discriminações sociais, por isso recebeu críticas severas.
            Em 1889 publica obra didática Lições de Aritmética para a Escola Normal, ala feminina, com objetivos pedagógicos, contendo 102 páginas.
Em 1891, por perseguição política foi demitida da Escola Normal, e fundou em Fortaleza um educandário: Externato Santa Clotilde, que funcionou por três anos.
Em 1897 publica Coleção de Contos, com prefácio de Tibúrcio de Oliveira (autor de O Jangadeiro), pela Tipografia de Cunho Ferro & Cia.
            Finalzinho do século volta a morar em Baturité, fugindo de um surto de tuberculose e outras epidemias que pairava em Fortaleza.
Abriu em Baturité um Externato em que meninos e meninas, sem separação assistiam, ao mesmo tempo, a mesma aula e, ao recreio, convivendo na doce camaradagem da infância.
Em 1902, impassível às regras da sociedade publica A Divorciada, romance de 233 páginas. publicado na Tip. Moderna a vapor Ateliers Louis, Fortaleza, Rua Formosa (hoje Barão do rio Branco) n.º 71, obra que pelo título abala a sociedade conservadora da província gerando debates conflituosos entre a ala conservadora e a ala progressista.
A Cidade, jornal periódico de Sobral na edição de 7/06/1902, “louva o estilo da romancista que qualifica de “ligeiro, delicado, fácil, correto e atraente, inspirado em realismo puro”.
            Co-fundadora da primeira agremiação literária feminina, fundada em Fortaleza em 1904 A Liga Feminista Cearense, presidida por Alba Valdez, identificadas no meio literário como defensoras do direito da ascensão cultural, econômica e política para as mulheres.
            No dia 28 de outubro de 1906, ainda na cidade de Baturité juntamente com sua filha Antonieta Clotilde inicia a publicação da revista A Estrella, que teve duração ininterrupta até 1921.
Em fevereiro de 1908 ela deixou a cidade de Baturité, embarcando para a cidade de Aracati a convite de pessoas de destaque daquela sociedade. Em 09 de março do mesmo ano fundou o Externato Santa Clotilde, com participação ativa de duas filhas: Antonieta e Ângela Clotilde.
Colabora, tanto ela quanto a filha Antonieta Clotilde, no O Aracati – órgão de imprensa local – falando das atividades literárias, afirma que “a burguesia azinhavrada de interesses materiais não predomina entre nós”. Em resposta, citando os intelectuais da terra o jornal diz que: “merecem verdadeira apoteose de aplausos as primorosas quão modestas poetisas as Clotlides, mãe e filha” (edição de 25 de março de 1909).
Posteriormente ampliou o Externato com um curso masculino que deu bons resultados, continuando de então até 30 de novembro de 1935, aos 73 anos, passando, portanto, mais de 53 anos de profícuo e afanoso lutar em prol do desenvolvimento intelectual da mocidade cearense (Fortaleza, Baturité e Aracati), sendo a maior parte desse tempo, ou seja, mais de 27 anos, na cidade de Aracati. Na realidade se educou a elite da juventude da terra dos “bons ares”.
Ajudou na criação da Liga Feminina em apoio à candidatura oposicionista de Franco Rabelo a Accioli. Nesse tempo publicou uma série de artigos, posteriormente organizado em coletânea Pelo Ceará, editados na Folha do Comércio de Aracati – CE: Tip. Comercial, s. d. 70  p.
Além de professora, poetisa, colaboradora em revistas e jornais, contista, romancista, foi também dramaturga. Escreveu várias obras teatrais, monólogos, diálogos, comédias e dramas históricos.
Em 1924 a fúria do Jaguaribe, quase arrasa as cidades que banhava e de modo especial a cidade de Aracati, e, muito se perdeu da produção e história das Clotildes (Francisca, Antonieta, Angelita e Aristóteles).
De formação religiosa, tendo grande devoção por Santa Terezinha.
            Mercê de seu talento, teve o grito da mulher como expressão estética para sua obra. Francisca Clotilde foi mulher de vanguarda, uma mulher de denúncia; escreveu sobre questões sociais, colocando em debate o mundo das pessoas, dos homens e das mulheres. Atravessou os anos e confirma, centenária, a vocação de ser imorredoura.
            Faleceu em Aracati - CE, em 8 de dezembro de 1935.
Suas obras hoje constituem raridades bibliográficas. Podem ser encontradas na Biblioteca Nacional e na Biblioteca Pública Menezes Pimentel de Fortaleza – CE, no Setor de Obras Raras.
            É Patrona na Ala Feminina na Casa de Juvenal Galeno. É nome de rua em Fortaleza-CE, no bairro Rodolfo Teófilo, CEP: 60431-070. É nome do Grupo Teatral da cidade de Aracati CE. É Patrona da cadeira número 11 na Academia Tauaense de Letras, ocupada por Anamélia Custódio Mota, que desenvolve uma acirrada pesquisa sobre essa ilustre tauaense.
                                  
Texto ANIVERSARIANTE DO DIA - FRANCISCA CLOTILDE - 19 de outubro de 1862
Anamélia Custódio Mota
Tauá-CE, 19 de outubro de 2005
(Divulgado nas três emissoras de rádio local).

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

BAILADO DAS ARTES DE FRANCISCA CLOTILDE

TEATRO DE BONECOS FRANCISCA CLOTILDE (HÉLIO SANTOS)

*****
Com o BAILADO DAS ARTES, Francisca Clotilde elege a Poesia, a Música, a Pintura, a  Dança, a Escultura, a Equitação, a Agricultura e a Imprensa, como as principais artes da Humanidade:
BAILADO DAS ARTES

CORO:  Representamos as Artes,
Sempre belas e primorosas,
Temos de todas as partes,
Homenagens fervorosas.

Do progresso universal,
Como seguros fatores,
Garantimos afinal
A glória aos conquistadores.

POESIA: Temos certo a primazia,
Atinjo a maior perfeição,
Sou a invencível poesia
Que domina o coração.

Traduzo com meu vigor
Toda graça e suavidade
Que têm os sonhos de amor
E as tristezas da saudade,

Representamos, etc.

MÚSICA: Afetos sublimizados,
Os mais ternos sentimentos
Expressam bem afinados
Os meu vários instrumentos.

Quer num tom alegre ou triste,
Só despertam simpatias,
E nada no mundo existe
Que me exceda as harmonias.

Representamos, etc.

PINTURA: Eu sou a alegre Pintura
Tenho graça e beleza,
Sou viva, sincera e pura
Amante da natureza.

Guardo as lembranças queridas
Em quadras de seleção,
Na minhas cores mais finas
Se compraz o coração.

Representamos, etc

ESCULTURA: Os vultos que sagra a História
Do meu cinzel o primor
Faz reviver para a glória
Cercados d’áureo esplendor.

Quem não conhece o meu nome?
Eu sou a bella escultura...
O tempo todo consome;
Mas minha força é segura.

Representamos, etc.

DANÇA:  Nos salões mais se aprimora
O encanto que em mim transluz
Sou festiva como a aurora,
Tenho graça, vida e luz.

Sou a dança que fascina
Em seus torneios variados,
Desde a galante menina
Aos jovens mais delicados.

Representamos, etc.

EQUITAÇÃO: Tenho igualmente um brasão
Na falange decantada,
O meu nome – Equitação –
Sou deveras apreciada.

Nas pistas e nas corridas
O jovem belo e garboso
Faz conquistas decididas
Ao meu influxo gracioso.

Representamos, etc

AGRICULTURA: Transformo a face da terra,
Mudando espinho em flores,
Quanta vida não decerra
O arado! Quantos primores!

A Agricultura bendita,
Igual é uma mina d’ ouro,
Produz riqueza infinita,
É um perfeito tesouro.

Representamos, etc.

IMPRENSA:  Nada pode resistir
Ao meu prestígio sem par,
Sou a imprensa...e de porvir
Eu sei a trilha aclarar.

Rompi as brumas... e radiosa,
Como uma estrella nos céos
Brilha nas trevas, ansiosa
Esgarça da noite os véus.

Representamos, etc.

CORO FINAL: Em bela e nobre falange
Seguimos trilho seguro,
Ninguém há que desarranje
As vitórias do futuro.

As Artes, sempre gloriosas,
Terão a maior influência
Nas conquistas mais honrosas
Nas lutas da inteligência!

(F. Clotilde. Revista A Estrella. Aracati, ed. de out/nov/dez de 1921).

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

TAUÁ: BELEZAS NATURAIS

Tauá - Planalto Quinamuiu e Rio Trici
Foto: usedata, 2004

Tauá - Sangria do Açude Várzea do Boi
Foto: usedata, 2004

Tauá - Marrecas
Foto: Franzé Mota, 2012

Tauá - Carrapateiras: Rumo à Barra do Vento
Foto: Ana Maria Custódio Mota, agosto de 2012

Tauá - Quinamuiu - Rio Trici
Foto: Manoel Enéas Alves Mota, 2004