quarta-feira, 29 de agosto de 2012

JOAQUIM PIMENTA


Revista Fortaleza
Fundada em Fortaleza aos 06 de outubro de1906
Por Joaquim Pimenta e outros acadêmicos.


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Francisca Clotilde Saudação à Revista Fortaleza
Poema publicado na referida revista edição de dezembro de 1906.

Joaquim Pimenta
Por Edmilson Barbosa, 2004

Revista Fortaleza
Pela Fundação Waldemar Alcântara, 2009.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

SETE DE SETEMBRO (F. CLOTILDE)


SETE DE SETEMBRO

Esplende o sol... O Ypiranga desliza
E nele se reflete o azul sereno,
Lindo... A desdobrar-se ameno,
De luz e beleza se matiza.

Independência ou Morte! Concretiza.
O brado augusto, vivo como um treno,
O gesto nobre, o decantado aceno,
Do Monarca que ali se sublima...

E o grito vibra além... Há manifestas
Expressões as mais justas,
Um delírio de usos e festas.

E a grande terra, erguida na História,
Aureolada de estrelas refulgentes,
Sente envolvê-la a sagração da glória.

F. Clotilde. Revista A Estrella. Aracati, set de 1921.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PADRE ALFREDINHO - DOM FRAGOSO E MAXIMILIANO KOLBE




      Dom Fragoso e Padre Alfredinho 
       Foto: arquivo Chichica Gonçalves

     Padre Alfredinho e a menina Saara, filha de Bernardo e Chica
Foto: arquivo Chichica Gonçalves

Maximiliano Kolbe
Patrono da Irmandade do Servo Sofredor

Padre Alfredinho - Seca no Ceará
Na frente de Serviço em Crateus, década dec 1980
Profeta de Jesus, discípulo de Isaias.


domingo, 12 de agosto de 2012

RETIRO ESPIRITUAL COMUNIDADE BARRA DO VENTO - TAUÁ - CE

Retiro realizado aos 12 de agosto de 2012


Romaria à Comunidade de Barra do Vento


Chichica Gonçalves (Rumo à Barra do Vento)


 Barra do Vento - Casa de dona Leonarda


     Barra do Vento - Romeiros adentrando ao Salão de Estudo


Barra do Vento - Romeiros em visita à Casa de Oração 

Anamélia Mota visita Casa de Oração Padre Alfredinho
(Frédy Kunz)

Altar da Casa de Oração Padre Alfredinho - Barra do Vento

Menino Jesus de Praga Comunidade de Barra do Vento



Anamélia Mota Barra do Vento

Padre Alfredinho (Frédy Kunz) - Comunidade Barra do Vento


Padre Alfredinho (Frédy Kunz) - Barra do Vento - Tauá - CE

Padre Maurício, Anamélia e Tonha (neta de dona Leonarda)


Agradecimentos: aos familiares de Dona Leonarda, à Irmandade do Servo Sofredor,
Comunidade da Barra do Vento e à fotógrafa: Ana Maria Custódio Mota.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

BRINCAR COM CINZAS (POR FRANCISCA CLOTILDE, 1887)

O acaso colocou-os de novo em face um do outro, depois de cinco anos de separação.
Eles se tinham amado ardentemente durante alguns meses e vivido isolados do mundo, embebidos em sua felicidade; mas um dia olharam-se indiferentes e quebraram aquelas doces relações.
Porque esse rompimento? Não eram felizes? Não se tinham jurado tantas vezes um amor eterno? Há coisas que não se explicam.
Ele foi viajar. Ela atirou-se ao turbilhão do mundo à vida de festas, sequiosa de luxo, de adorações.
E nem ao menos um recordação, uma saudade!
Custaram a conhecer-se. Ambos tinham mudado muito durante a ausência.
Ele não se cansava de contemplá-la, admirado de vê-la tão formosa.
Ela atropelava-o com perguntas. Indagava os lugares por onde andara, o que tinha visto de mais interessante, quais as impressões que sentira na viagem.
Uma suave intimidade renascia entre eles. Pareciam irmãos que se interrogassem depois de uma longa e penosa ausência.
Aceitas o meu braço?
— E onde me levas?
— Vamos almoçar. Ela acompanhou-o sem constrangimento, risonha, quase feliz de o tornar a ver.
Achava-o também mais formoso. O vestuário elegante dava-lhe um certo ar de nobreza e distinção. Tinha adquirido melhores maneiras, sua conversação se tornara variada e agradável até mesmo o olhar tomara uma nova expressão.
Falava-lhe dos lugares que tinha percorrido, das magníficas paisagens que apreciara, dos costumes estrangeiros que notara com uma graça e volubilidade encantadoras.
Chegando ao hotel pediram almoço.
Sentiam um bom humor admirável.
Nunca no tempo em que viviam juntos haviam passado tão deliciosa manhã.
Falaram do passado.
Recordaram a primeira vez que se tinham visto.
Nesse dia ela trajava um vestido cor de rosa que lhe empalidecia ligeiramente as faces, suavizando-lhe a beleza. Trazia um chapelinho de plumas brancas e folgava descuidosa como uma criança travessa, ao lado de uma amiga da sua idade.
Relembram as cousas mais insignificantes, as puerilidades mais graciosas. A memória lhes reavivava cenas que pareciam esquecidas.
Achavam um certo encanto em revolver as cinzas daquele passado que para eles tinha se esvaído como sonho.
Falaram de uma noite de teatro, em que ela, despelada e ciosa porque ele tinha assestado o binóculo para uma atriz, se retirara antes de terminar a peça, e de uma manhã do estio, límpida e formosa, com todos os perfumes das flores, com todos os gorjeios das aves, em que eles tinham divagado através dos campos, felizes e alegres como noivos apaixonados.
Misturaram risos e prantos, carícias e desdéns, o que houvera de bom e transparente na sua união ao que ela tivera de sombrio e mau.
Como as horas voavam rápidas, levando as últimas fragrâncias dessas flores murchas que eles desfolhavam!
É tão bom falar-se do passado com alguém que nos compreenda, e que como nós lamente esse tempo, sem dúvida o melhor da vida!
lhes era tão doce estar juntos naquele íntimo sossego de outrora. (...) larga conversação que tinham tido sobre o passado prendera-os de tal sorte que lhes faltou coragem de separar-se.
Eles se tinham divertido a brincar com as cinzas da fogueira que julgavam extinta e insensivelmente haviam ateado um incêndio.
O passado com todos os seus encantos atraía-os de novo.
Agora ele fixava os olhos nos dela com unia expressão repassada de um sentimento tão forte que a deixava atordoada.
Apertando-se mutuamente, tremiam-lhe as mãos, e os lábios mal puderam balbuciar uma confissão de amor!
Daí a 8 dias era-lhes impossível separar-se mais.
Pertenciam um ao outro por direitos mais justos, por títulos mais sagrados.
E nos momentos de colóquio íntimo em que seus corações se expandiam ao calor do sentimento que os dominava, gostavam de dizer sorrindo-se: “Foi brincando com as cinzas do passado que chegamos a amar-nos devoras”.

(F. Clotilde. Revista A Quinzena, n. 9, Fortaleza, 15 maio 1887, pp. 70-71).

terça-feira, 29 de maio de 2012

MARRUÁS FESTA DA PADROEIRA ANO DE 2012

Transcorreu num clima de Paz as festividades por ocasião do novenário em homenagem à Santa Rita de Cássia na comunidade de Marruás, Tauá, Ceará. Foram nove noites de novenas, com uma bela programação, inclusive com a realização da Primeira Marcha da Fé.

Marruás - Queima de Pecados, 2012
(Foto de Ana Mendes)

Marruás - Festa da Padroeira, 2012  
(Foto de Absonália Mota)

  
Marruás - Marcha da Fé 2012


Marruás - Marcha da Fé
(Foto Rosângela Cavalcante)


Marruás Festa da Padroeira Santa Rita de Cássia


Marruás - Festa de Santa Rita, 2012
Marruás - Participação dos Vaqueiros, 2012

Marruás - Naninha, Absonália, Liduína e outras
(Foto de Ana Mendes)


Marruás, Naninha Custódio Mota com filho, 
netos Edmilson, Ed Wilson/Lanuzia e Lurdiana, e bisneto Raul
(Foto de Manoel Enéas)

 
Marruás - Leilão, 2012

Marruás - Calçada da tia Bela

 Marruás - Júnior Oliveira e Anamélia Mota

sábado, 19 de maio de 2012

PRINCESA ISABEL DO BRASIL

Princesa Isabel do Brasil

"Expulsou-te o Brasil; mas, embora proscrito,
O mundo iluminou o teu régio talento
E um trono conquistaste, esplêndido infinito"
(Francisca Clotilde)

Dia 12 de maio de 2012 ganhei do meu filho Edmilson Barbosa, o livro "Princesa Isabel do Brasil: Gênero e Poder no Século XIX". Como venho estudando há algum tempo a "Literatura Feminina" do Século XIX, posso dizer que adorei o presente.

O autor da obra em apreço, Roderick J. Barman, retrata a personagem principal, Dona Isabel, como uma figura humana de uma afetividade familiar exemplar e que passou por muitos entravos em sua vida privada, assim como na esfera pública, herdeira do trono imperial.

Tentarei resumir em tópicos as mensagens principais que pude colher na leitura que fiz da referida Obra:

1. No mundo ocidental do Século XIX, nove mulheres foram monarcas ou regentes em seus países. Dentre essas mulheres, a Princesa Isabel, nascida no Brasil, no ano de 1846 e falecida em 1921.

2. A Princesa Isabel passou a infância e a adolescência num ambiente altamente patriarcal nas estruturas e nas atitudes.

3. O mundo girava em torno de D. Pedro II, e cada desejo seu era lei. Ao casar a filha aos dezoito anos de idade (1864), com um estrangeiro - Gastão d' Orléans (Conde d'Eu), o imperador intensificou o seu isolamento com relação aos brasileiros.

4. No século XIX, uma mulher casada de classe alta tinha cinco obrigações:

4.1. Servir ao esposo, dando-lhe apoio, afeição e fidelidade;
4.2 Governar o lar, tornando confortável a vida privada;
4.3 Desenvolver o papel de mediadora, conciliadora dos quatro pais e outros parentes mais velhos que ela;
4.4 Construir um círculo de amigos para proclamar o status do marido;
4.5 Parir e criar os filhos do esposo.
 
5. Primeira Regência: dia 03 de junho de 1871 - aos 25 anos - tendo como chefe de governo visconde do Rio Branco:

5.1 Educada para ser filha obediente, enquanto seu pai estivesse vivo, ela nada faria para lhe contestar o direito de conduzir os assuntos do Estado;
5.2 Em carta ao pai, datada de 04 de junho: "Ontem foi meu primeiro despacho, havia 5 ministros à minha chegada. Quando entrei na sala, fiquei abismada, 5 enormes pastas recheadas (...) Numa única cousa fiz uma reflexão: tratava-se  do pedido de exoneração do Santa Maria do cargo de inspetor da instrução pública. Julguei que eu que fui sua discípula não devia aceitar";
5.3 Eu diria que o marco da primeira regência da Princesa Isabel foi a Lei do Ventre Livre, promulgada em 28 de setembro de 1871.

6. O desejo de ser mãe"Gerar filhos sadios para o marido era finalmente cumprir o dever atribuído à esposa".

6.1 Depois de quase sete anos de casamento, em maio de 1871 D. Isabel deu sinais de estar grávida, porém, sofreu um aborto em agosto;
6.2 Depois, sofreu novo aborto em outubro de 1872;
6.3 Em julho de 1874 teve uma criança nascida morta; e por pouco não foi a óbito;
6.4 Em outubro de 1875 em um parto dificílimo nasceu o primeiro filho (Pedro de Alcântara); "Minha esposa prefere cuidar do Baby a qualquer outra coisa na vida" (conde D'Eu, maio de 1876).
6.5 Em 11 de setembro de 1876 um novo aborto;
6.6 Em janeiro de 1878 outro parto difícil nasceu o segundo filho (Luís, em homenagem ao avô paterno);
6.7 Em agosto de 1881 nasceu o terceiro filho (Antônio Augusto).
Esposa carinhosa, conforme cartas ao esposo, desta datada de 11 de junho de 1875, ela finaliza assim: "Beijo-te com o mesmo carinho com que te amo" (Isabelle).

6. Segunda Regência: (1876) - 18 meses pelo afastamento em excursão de D. Pedro II.

6.1 De março de 1876 a setembro de 1877 ela passou por uma série de provocações, na qualidade de governanta do Brasil e de atribuições na vida pessoal;
6.1.1 O fiasco da Reforma Eleitoral;
6.1.2 A Renovação da Questão Religiosa;
6.1.3 A Grande Seca.

Quando retornou ao Brasil, em maio de 1878 D. Pedro II autorizou o casal (o Conde D'Eu e a princeza Isabel) a viver dois anos fora do Brasil - o motivo principal seria o de procurar tratamento médico para o filho Pedro. Esse afastamento foi prorrogado por mais um ano e meio e o casal que levara dois filhos, retornou ao Brasil com três filhos.

7. Terceira Regência (1887-1888) - Teve como marco a votação e promulgação da Lei Áurea

7.1 O Conde d’Eu: “Não o assine, Isabel. É o fim da monarquia”. Ao que ela respondeu: “Assiná-lo-ei, Gaston. Se agora não o fizer, talvez nunca mais tenhamos uma oportunidade tão propícia. O negro precisa de liberdade, assim como eu necessito satisfazer ao nosso Papa e nivelar o Brasil, moral e socialmente, aos demais países civilizados”.
7.2 Depois da assinatura realizou-se grande festa no Rio de Janeiro, com grandes aclamações do povo. Estando a Princesa Isabel junto ao barão de Cotegipe na janela do palácio — o barão a estimava, embora estivessem em desacordo na questão da escravidão — ela perguntou-lhe: “Então, Senhor barão, V. Excia. acha que foi acertada a adoção da lei que acabo de assinar?”. Ao que o barão, com muito carinho, respondeu: “Redimistes, sim, Alteza, uma raça, mas perdestes vosso trono...”(4)
7.3
"Se é por causa da Abolição, não me arrependo; dou por bem dado perder o Trono" (Princesa Isabel do Brasil). 
7.4 A promulgação da Lei Áurea de 13 de maio de 1888, contribuiu para sua exclusão da vida pública e para o seu banimento da terra natal.


8. A Proclamação da República:

8.1 Aos 15 de novembro de 1889 o marechal Deodoro da Fonseca  proclamou a República e, no dia seguinte família real foi avisada de que teria 24 horas para deixar o Brasil.

8.2 "É com o coração partido de dor que me afasto de meus amigos, de todos os brasileiros e do País que tanto amei e amo, para cuja felicidade esforcei-me por contribuir e pela qual continuarei a fazer os mais ardentes votos" (Isabel, condessa D'Eu, Rio de Janeiro, 16 de novembro de 1889).

Na década de 1890 os filhos atingiram a idade adulta e tornaram- militares -  os três. Para preencher o vazio deixado pela partida dos filhos, ela se entregou com zelo e dedicação a todos os tipos de obras de caridades organizadas pela Igreja católica.

Com explosão da I Guerra Mundial em agosto de 1914 a vida plácida e regular mudou bruscamente: seus filhos Luís e Antonio precipitaram-se em defender a Pátria dos ancestrais. Antonio faleceu em 29 de novembro de 1918 e Luís em março de 1920.


***
Desse contexto, encontramos em nosso arquivo o soneto da solidária poeta cearense Francisca Clotilde, publicado na Revista A Estrella para o mês de abril de 1920.

D. LUIS ORLEANS

(Ao coração alanceado de Isabel, a Redentora)

É vivo o teu lugar, a cintilar na história,
Descendente de reis, o teu manto altaneiro
Há de sempre guardá-lo, aureolado de glória,
O grande coração do povo brasileiro!

Morreste sem fitar o esplendente cruzeiro
Que nos guia e conduz em bela trajetória,
Mas soubeste exaltar no país estrangeiro,
Por teu gênio imortal, tua augusta memória.

Ninguém pode privar que, num estro exaltado,
Em surtos magistrais, condor do pensamento,
Pairasses neste azul sereno e constelado.

Expulsou-te o Brasil; mas, embora proscrito,
O mundo iluminou o teu régio talento
E um trono conquistaste, esplêndido infinito.

Além desses rudes golpes pessoais, a própria saúde de Dona Isabel começou a se deteriorar (problemas cardíacos e excesso de peso), passando pelo uso da bengala, e por fim a cadeira de rodas.

Em maio de 1920, o presidente do Brasil enviou ao congresso o projeto de lei que revogava e autorizava o retorno da família real. A lei foi promulgada aos 07 de setembro do mesmo ano. A imobilidade negou-lhe uma derradeira consolação: retornar à pátria para presenciar o traslado dos restos mortais de seus pais.

Dona Isabel faleceu aos 14 de novembro de 1921. Seu corpo foi sepultado em Dreux, na França na cripta da família Orleans. Seu esposo, Gastão de Orléans, convidado que fora para as comemorações do Centenário da Independência, faleceu a caminho do Rio de Janeiro em 28 de agosto de 1922.