quarta-feira, 18 de abril de 2012

POSTURA DA ESCOLA NA ORIENTAÇÃO SEXUAL

É na acolhida ou na rejeição, na aliança ou
na hostilidade para com o rosto do outro,
que se estabelecem as relações mais primárias
do ser humano e se decidem as tendências
de dominação ou de cooperação. Cuidar do
outro é zelar para que esta dialogação, esta
ação de diálogo eu-tu, seja libertadora,
sinergética e construtora de aliança
perene de paz e de moralização”.
(Leonardo Boff –Saber Cuidar)

Durante muito tempo, falar de sexo era proibido, pois este era sempre associado à coisa feia, imoralidade, pecado. Mesmo sabendo que o desenvolvimento da sexualidade está interligado ao desenvolvimento do ser humano, representando papel importante na estruturação da personalidade, para muitos pais e porque não dizer, para muitos (muitíssimos), educadores, falar de sexo é extremamente difícil, mesmo em nossa era, onde vivemos intensamente a revolução sexual iniciada depois da década de 1970.

        A escola deve informar, problematizar e debater os diferentes tabus, preconceitos, crenças e atitudes existentes na sociedade. Para isso, é  necessário que o educador tenha acesso à formação específica para tratar da sexualidade com crianças e jovens na escola, possibilitando a construção  de uma postura  consciente no trato desse tema. Só que para isso, os professores necessitam entrar em contato com suas próprias dificuldades diante do tema, com questões teóricas, leituras e discussões referentes à sexualidade e suas diferentes abordagens.

       Preparar-se para a intervenção prática, junto aos alunos e, ter acesso a um espaço grupal de produção de conhecimento a partir dessa prática.

       A formação deve ocorrer de forma continuada e sistemática, propiciando a reflexão sobre valores e preconceitos dos próprios educadores. Reconhecendo os valores que regem seus próprios comportamentos e orientam sua visão de mundo, será capaz de reconhecer a legitimidade de valores e comportamentos diversos dos seus. Tal postura cria condições mais favoráveis para o esclarecimento, à informação e o debate sem a imposição de valores específicos.

       A postura dos educadores precisa refletir os valores democráticos e pluralistas propostos e os objetivos gerais a serem alcançados. Em questões de gênero, por exemplo, os professores devem transmitir, por sua conduta a valorização da equidade entre os gêneros e a dignidade de cada aluno e, ao mesmo tempo, garantam o respeito e a participação de todos, trabalhando pela não discriminação entre as pessoas.

      Tivemos a oportunidade de participar da capacitação do PROJETO AMOR À VIDA, (SEDUC X SUS), nos tornando inclusive multiplicadora, foi um crescimento incrível, pois a superação de preconceitos, muda a postura em relação ao trato dos temas estudados.

      A sexualidade é um tema que deve ser tratado com muita atenção e carinho, pois ele mexe com valores, com padrões éticos, estéticos, políticos, de todos em geral, e, de cada um em especial. Por isso é necessária muita responsabilidade para conduzir o estudo e aprofundamento, com um referencial teórico que ilumine a prática pedagógica na sala de aula.

     Para Frei Betto (2000), os professores quando falam de sexualidade: "Tratam da higiene corporal, para prevenir doenças sexualmente transmissíveis. Jamais falam de afetividade, de constituir uma família, de casamento. O resultado é que formam mão de obra para o mercado de trabalho, mas não pessoas responsáveis, felizes e cidadãs”.

      Deve-se preservar a intimidade dos alunos e jamais expor um problema sem autorização. Assim como fugir de discursos moralistas. Situações mais graves, que envolvam uso de drogas, violência sexual e maus tratos, não devem ser tratados apenas pela escola. Casos como esses exigem acompanhamento de profissionais especializados, como médicos e psicólogos, e devem ser comunicados ao conselho Tutelar.

     Celso Antunes defende que “Todas as relações – familiares, profissionais ou pessoais – devem ser permeadas pela afetividade, em qualquer idade ou nível sócio-cultural”.

      Os jovens não têm como deixar os problemas em casa. Enfrentar sentimentos não é fácil para ninguém, mas trabalhar as emoções é importante no amadurecimento do ser humano. Portanto esse conteúdo deve fazer parte do compromisso pedagógico de uma instituição que se preocupa com o desenvolvimento integral dos alunos.

      Quanto aos procedimentos metodológicos, o professor dispõe do:
MÈTODO EXPOSITIVO: deve ser utilizado para apresentação com tempo muito limitado e para grandes grupos. O expositor não é interrompido, não dialoga com os ouvintes, não sabe o que o grupo pensa e não tem o trabalho de preparar atividades.
MÉTODO AUDIVISUAL: utiliza objetos intermediários (filmes, gravações, transparências, cartazes). É necessário reservar um tempo para o debate. È considerado um método razoável.
MÉTODO PARTICIPATIVO: é utilizado com o auxílio de inúmeras dinâmicas, e, tem o objetivo de desenvolver habilidades específicas, além de estimular e permitir a ação cooperativa entre os participantes, a socialização do saber e o conhecimento de vivências, a manifestação dos sentimentos, o esclarecimento de dúvidas, o treino para lutar com as situações do cotidiano e o incentivo à melhoria da qualidade de vida. 

           As dinâmicas de grupo são recursos excelentes para conduzir os trabalhos de orientação sexual. O saber só será prazeroso, se estiver voltado para o interesse dos alunos. Para deixar nascer a disciplina, não é necessário sufocar o aluno ou eliminar a  alegria. A vida não é isto nem aquilo, mas é isto e aquilo. Hoje está posto um desafio que precisa ser enfrentado  no exato espaço da sala de aula: o de se recuperar o sentido da autoridade nas relações pedagógicas, sem qualquer concessão a autoritarismos, pois destes todos estão fartos. 

A participação da família é de suma importância no acompanhamento educacional das crianças e dos adolescentes. A campanha “a família na escola” não deve ser apenas um dia especial do ano, mas um ponto de partida para retomar esse relacionamento, para compartilhar responsabilidades.

Anamélia Custódio Mota
Artigo publicado na Revista Mundo Jovem, nº 343, fev de 2004:17

quarta-feira, 14 de março de 2012

IRACEMA JOSÉ DE ALENCAR

IRACEMA JOSE DE ALENCAR
Por Francisca Clotilde

Num blandicioso estilo comparável ao canto do sabiá, na espessura da mata, em alvorecer primaveril, José de Alencar, glória da Terra cearense, idealizou o tipo gracioso dessa índia em cujo coração se acrisolavam os sentimentos fortes de uma raça selvagem e a meiguice empolgante de uma alma de donzela aprimorada ao sopro da civilização.

Livre como a corsa, ela palmilhava os sertões e mirava o rosto moreno, de traços corretos, na limpidez das águas da lagoa, cristalizadas aos esplendores do sol.

Desprendiam festivos cantares quando a aurora roseava o céu e as flores silvestres que desatavam as pétalas embalsamando os campos do Ipu, ornava-lhe os cabelos opulentos e negros.

Os guerreiros mais famosos encontravam-na esquiva e ao fitarem a luz de seus olhos e o frescor de seus lábios rubros entreabrindo sorrisos álacres, pensavam que IRACEMA era talvez um gênio superior, a virgem privilegiada que Tupã destinara para proteger com a candidez de sua existência imaculada e descuidosa os valentes filhos dos Tabajaras.

Poema estremecido de imagens belíssimas iluminado pelas fulgurações dos astros que matizam o céu azul que se estende sobre a Pátria do grande escritor.
Apresenta-nos a visão lendária no grácil abandono de repouso à sesta, nos claros da floresta, ou mais tarde errando desolada pelos ermos sertões, a repetir o nome de Moreno à variação cariciosa, na hora contemplativa da saudade, ao morrer do dia.

Imortalizada pelo gênio de Alencar, o mimoso perfil dessa lenda selvagem, vencido pelo guerreiro branco, reflete-se através dos tempos sobre as alvas praias e as risonhas dunas que orlam os "verdes mares" marcando uma nova fase à literatura indígena e mostrando em colorido vivo, brilhante, a sensibilidade, a delicadeza e os afetos de uma alma feminina expandindo-se ao calor das silvas, grande na sua dedicação, sublime no generoso desprendimento com que esquece tudo e carpe como a ave solitária às margens pungentes da ventura perdida.

F. CLOTILDE. Ceará Intelectual. Fortaleza, 1910.

segunda-feira, 12 de março de 2012

A ENJEITADA - CONTO - FRANCISCA CLOTILDE

Francisca Clotilde

Através do CONTO, Francisca Clotilde faz os primeiros passos,
apercebendo e aprimorando-se para o cultivo de outro gênero,
 de maior amplitude e complexidade: o romance.
 (Dolor Barreira)

A gentil criancinha viu a luz do dia em uma estreita e úmida mansarda. Filha do amor e do crime nascia quase ao desamparo, e apenas os beijos maternos festejaram-lhe a entrada no mundo.
A mãe seduzida por um homem sem coração necessitava encobrir a falta para continuar a viver entre a familia, e tinha de abandoná-la à caridade publica algumas horas depois de nascida.
Era tão franzina! Precisava tanto de cuidados maternos; porém a sociedade severa e inexorável a triste sorte da enjeitada.
São assim as leis humanas.
A moça inexperiente e sem o escudo de uma boa e sólida educação caíra aos amorosos assaltos de mancebo sedutor, e tornara-se mãe. Era, portanto, indispensável ocultar o fruto de uma culpa que o mundo não perdoa, e entre o amor de mãe e o terror do anátema que lhe cairia na fronte, a pobre moça hesitava.
Abandonar a filha, uma creaturinha frágil, flor mal desabrochada que a primeira carícia de vento pode molestar, deixá-la à porta de algum rico compassivo, privá-la dos seus beijos, não vê-la talvez mais!
Trouxera-a nove meses no seio, nutrindo-a com o seu sangue, com a sua própria vida.
Às ocultas fizera um enxolvazinho para que o seu anjo tivesse uma camisinha de rendas e uma touca enfeitada, ouvira-lhe o primeiro vagido, beijara-a com toda effusão de seu amor, e ia separar-se dela!
O seu coração de mãe revoltava-se.
Havia de conservá-la, embora a família a repelisse.
Trabalharia para sustentá-la, sofreria junto a si. Já lhe queria tanto!
Mas a vergonha e o opróbrio que a esperava?
Tratava-se n’aquelle espírito abatido pela dor física numa lucta horrível. Ficaria irremediavelmente perdida. A filha mais tarde envergonhar-se -ia de sua origem e talvez a amaldiçoasse.
Aparecia-lhe o mundo com a sua moral severa a estigmatisá-la, a excluí-la do rol das mulheres honestas, a família a expulsá-la.
Podia continuar a ser querida e respeitada. Ninguém descobriria sua falta, freqüentaria a sociedade, seria bem recebida em toda parte, encontraria talvez um homem que a desposasse e havia de ser feliz. Mas para conseguir isso devia abandonar a filha aos cuidados estranhos, condená-la a implorar continuamente a caridade alheia. Era horroroso!...
Tinha-a junto do coração, molhava-lhe as facezinhas rosadas com lágrimas de ternura acariciava-lhe a loura cabecinha, extasiava se diante dos seus olhos que se abriam indecisos como para fitá-la e dizer-lhe: não me abandones.
O amor materno ia triunfar, mas ali estava alguém aa reclamar-lhe a creança, aa animal-a ao sacrifício expondo-lhe as conseqüências de sua fraqueza, a dizer-lhe que se apressasse, que em casa poderiam desconfiar de sua demora.
Pobre mãe! O miserável que murchou a coroa de tua virgindade não pensa decerto nas angústias porque estás passando.
Ri neste momento, quem sabe?
A sociedade não há de repelir, elle tem o direito de entrar com a fronte erguida nos salões, onde se ostenta a gente melhor e será recebida com atenções e obséquios.
Mas, tu, vitima indefesa, terias arremessada ao charco onde se revolvem as criaturas sem pudor.
Não te vendeste, o amor te perdeu, te entregaste generosamente e sem restrições ao homem que te fez pulsar o coração ainda virgem; porém o mundo não indaga destas cousas. Há de salpicar-te o rosto com a lama da degradação e marcar—há a fronte com o selo da ignomínia e da desonra!
Nem mesmo a maternidade dá o direito de esperar indulgência. Riram de tua dor e zombaram de teus desvelos, e sobre tua filha recairá a tua infâmia.
A jovem mãe sente a vertigem do desespero. Passa-lhe pelos olhos uma nuvem que a deslumbra.
Aperta mais o filhinho, cobre-a de beijos, agasalha-a cuidadosamente contra as intempéries do tempo à pessoa que a espera.
Depois, como impelida por força sobre humana ergue-se do leito dos sofrimentos, deixa a mansarda úmida e estreita e volta para a casa da família.
Vai continuar a frequentar o mundo.
Ninguém lhe verá a palidez das faces e as palpitações nervosas do coração.
Sua honra está salva, porque o mundo contenta-se com exterioridades.
E enquanto ela aparentemente é feliz, e cercam-na de homenagens e afeições, a filhinha aos cuidados de estranhos não passa de uma enjeitada.

F. Clotilde. Revista A Quinzena. Fortaleza, ed. de 15/10/1887.

*****
Francisca Clotilde teve, no ano de 1897, quarenta e dois contos, publicados em brochura “Coleção de Contos”, pela Typ. Cunha, Ferro & Cia de Fortaleza, contendo 126 páginas, dedicados “À memória de meus pais: João Correia Lima e Ana Maria Castelo Branco”. O livro foi prefaciado por Tibúrcio de Oliveira, ex-aluno e afilhado literário de Francisca Clotilde.

quarta-feira, 7 de março de 2012

A DIVORCIADA - ROMANCE DE FRANCISCA CLOTILDE

A DIVORCIADA

“Os estudos sobre a natureza e a importância do nosso romance são escassos, incompletos, pois permanecem quase sempre em considerações superficiais, sem maior aprofundamento, além das injustiças que se cometem, talvez inconscientemente, em relação a nomes que foram de certa forma, desbravadores de caminhos”.
(Dolor Barreira)
O romance A Divorciada, aborda a questão do divórcio, um tema bastante polêmico, principalmente se retomarmos à época em que foi publicado, o ano de 1902.

Uma mulher de vanguarda, Francisca Clotilde, conhecida na educação como professora da Escola Normal de Fortaleza e na imprensa local e nacional, pelos seus versos e poemas, espalhados em jornais e revistas do estado do Ceará, de outros estados brasileiros e até em outros países: Portugal e França. Também contista, é de sua autoria a brochura "Coleção de Contos", publicado no ano de 1897.

Era o ano de 1902. Francisca Clotilde, professora, abolicionista, jornalista, contista, poeta, dramaturgista, publica o romance A DIVORCIADA, o qual ela dedica a suas diletíssimas amigas Serafina Pontes e Alba Valdez. Dedica ainda a dona Maria Eugênia dos Santos.

O romance é organizado em trinta e sete capítulos, em suas suas duzentas trinta e três páginas, e inicia assim: 
CARTÃO DE VISITA

Não pense o leitor benévolo que vai ter diante dos olhos um romance de cenas aparatosas, cheio de peripécias emocionantes e de lances extraordinários.

É uma história singela de duas criaturas que se amaram com pureza, e as quais o destino torturou acerbadamente antes de dar-lhes a felicidade almejada.

A maior parte da ação desenrola-se no campo, num pequenino povoado, em plena existência matuta, por entre a harmonia dos ninhos, traduzida pelos gorjeios das aves festivas.

Trescala a narração o aroma das flores agrestes, é um inocente idílio que pode ser compreendido por olhar casto.

Não está filiado a escola alguma dos Mestres; e seus personagens existem, e a cor verdadeira que apresentam é o mérito único da obra extremamente singela.

Revelam os inúmeros defeitos, a simplicidade rústica da forma, a pobreza de colorido, devido talvez ao meio excessivamente burguês em que se deslizou a vida da – Divorciada.

A autora

Segundo Dolor Barreira, A República,  edição de 08 de abril de 1902, foi o primeiro órgão a divulgar a obra “A Divorciada” com “estas animadoras palavras”,

Temos sobre a nossa banca de trabalhos esse novo livro da apreciada escritora cearense, demonstração irrecusável de uma insistente e perseverante atividade intelectual.
O talento da autora, promissoriamente demonstrado em outro gênero da literatura, apresenta no ramo que ora escolheu novas e significativas manifestações de um espírito acostumado à observação diária dos fatos, auxiliado por estimáveis faculdades de análise.
Passando do conto ao romance, concepção indiscutivelmente mais vasta e complexa, Francisca Clotilde nos deixa perceber através de sua engenhosa e fértil imaginativa, traços ideativos de uma vocação definida.
Inspirada e retratada pelo nosso meio, a auspiciosa tentativa da inteligência e operosa romancista é um estudo de costumes a que comunica vida a uma das nossas controvertidas questões civis _ o divórcio.
O enredo é tratado com carinho, e vê-se que a autora muito se esforçou por explorar todos os acidentes locais, fazendo vingar a índole da sociedade que serviu de teatro à sua produção.

 A revista “O Lyrio” de Recife, na edição de março de 1902, ao receber A Divorciada, assim se reporta,

A conhecida escritora cearense, Francisca Clotilde, teve a gentileza de oferecer-nos o seu romance - A Divorciada, que forma um belo volume de duzentas e trinta e três páginas.
A urdidura do romance é simples, mas bem travado com a concepção, corre suavemente, sem sobresalto, sem rebuscamento, despreocupado e natural.
Com esses elementos, arquitetou a simpática escritora um romance muito interessante, onde a emoção sem muito se elevar, distribui-se com arte, dando relevo às cenas e prendendo continuamente a atenção do leitor até o desenlace.
Agradecemos a oferta, felicitamos a distinta romancista.

Segundo Abelardo Montenegro, em Romance Cearense, ‘A Cidade’ – jornal que ela colabora – na cidade de Sobral, edição de 21/03/1903 elogia o romance, asseverando que é mais um magnífico estudo de observações e de fatos sociais, que um simples trabalho recreativo e fantasista. O mesmo jornal louva o estilo da romancista que qualifica de ligeiro, delicado, correto e atraente, inspirado no realismo puro. Em 1909, reside ela em Aracati, O Aracaty – órgão de imprensa local – na edição de 25.03.09, diz que o romance de Clotilde ocupa-se da momentânea e debatida questão do divórcio, tão simpatizada entre nós. Rompendo todos os preconceitos, desprezando todas as conveniências sociais, procura demonstrar a necessidade do amor no casamento, do verdadeiro amor desinteressado e eterno, espontâneo e natural.

Por décadas, não encontramos mais nenhuma notícia a respeito do referido romance. Somente em 1977 o professor e escritor Otacílio Colares em seu Lembrados e Esquecidos Vol. III, pp. 54-78.

Um novo silêncio..., e em 2000, Caterine de Sabóya Oliveira, em "Seis romances, seis visões", volta a abordar A Divorciada como um dos seis romances cearenses em destaque.

terça-feira, 6 de março de 2012

HISTÓRIA DE UM PROFESSOR

 
Aqui transcrevo, tal e qual, a Triste -  história de um Professor, que rebebi por Email, hoje dia 07 de março de 2012:
 
"Porto Alegre (RS), 16 de julho de 2011
 
Caro Juremir (CORREIO DO POVO/POA/RS)
 
Meu nome é Maurício Girardi. Sou Físico. Pela manhã sou vice-diretor no Colégio Estadual Piratini, em Porto Alegre, onde à noite leciono a disciplina de Física para os três anos do Ensino Médio. Pois bem, olha só o que me aconteceu: estou eu dando aula para uma turma de segundo ano. Era 21/06/11 e, talvez, “pela entrada do inverno”, resolveu também ir á aula uma daquelas “alunas-turista” que aparecem vez por outra para “fazer uma social”. Para rever os conhecidos. Por três vezes tive que pedir licença para a mocinha para poder explicar o conteúdo que abordávamos.
 
Parece que estão fazendo um favor em nos permitir um espaço de fala. Eis que após insistentes pedidos, estando eu no meio de uma explicação que necessitava de bastante atenção de todos, toca o celular da aluna, interrompendo todo um processo de desenvolvimento de uma idéia e prejudicando o andamento da aula.
 
Mudei o tom do pedido e aconselhei aquela menina que, se objetivo dela não era o de estudar, então que procurasse outro local, que fizesse um curso à distância ou coisa do gênero, pois ali naquela sala estavam pessoas que queriam aprender' e que o Colégio é um local aonde se vai para estudar. Então, a “estudante” quis argumentar, quando falei que não discutiria mais com ela.
 
Neste momento tocou o sinal e fui para a troca de turma. A menina resolveu ir embora e desceu as escadas chorando por ter sido repreendida na frente de colegas. De casa, sua mãe ligou para a Escola e falou com o vice-diretor da noite, relatando que tinha conhecidos influentes em Porto Alegre e que aquilo não iria ficar assim. Em nenhum momento procurou escutar a minha versão nem mesmo para dizer, se fosse o caso, que minha postura teria sido errada. Tampouco procurou a diretoria da Escola.
 
Qual passo dado pela mãe? Polícia Civil!... Isso mesmo!... tive que comparecer no dia 13/07/11, na 8.ª (oitava Delegacia de Polícia de Porto Alegre) para prestar esclarecimentos por ter constrangido (“?”) uma adolescente (17 anos), que muito pouco frequenta as aulas e quando o faz é para importunar, atrapalhar seus colegas e professores'. A que ponto que chegamos? Isso é um desabafo!... Tenho 39 anos e resolvi ser professor porque sempre gostei de ensinar, de ver alguém se apropriar do conhecimento e crescer. Mas te confesso, está cada vez mais difícil.
 
Sinceramente, acho que é mais um professor que o Estado perde. Tenho outras opções no mercado. Em situações como essa, enxergamos a nossa fragilidade frente ao sistema. Como leitor da tua coluna, e sabendo que abordas com frequência temas relacionados à educação, ''te peço, encarecidamente, que dediques umas linhas a respeito da violência que é perpetrada contra os professores neste país''.
 
Fica cristalina a visão de que, neste país:
Ø NÃO PRECISAMOS DE PROFESSORES
Ø NÃO PRECISAMOS DE EDUCAÇÃO
Ø AFINAL, PARA QUE SER UM PAÍS DE 1° MUNDO SE ESTÁ BOM ASSIM
 
Alguns exemplos atuais:
· Ronaldinho Gaúcho: R$ 1.400.000,00 por mês. Homenageado pela “Academia Brasileira de Letras"...
· Tiririca: R$ 36.000,00 por mês. Membro da “Comissão de Educação e Cultura do Congresso"...
 
TRADUZINDO: SÓ O SALÁRIO DO PALHAÇO, PAGA 30 PROFESSORES. PARA AQUELES QUE ACHAM QUE EDUCAÇÃO NÃO É IMPORTANTE: CONTRATE O TIRIRICA PARA DAR AULAS PARA SEU FILHO.
 
Um funcionário da empresa Sadia (nada contra) ganha hoje o mesmo salário de um “ACT” ou um professor iniciante, levando em consideração que, para trabalhar na empresa você precisa ter só o fundamental, ou seja, de que adianta estudar, fazer pós e mestrado? Piso Nacional dos professores: R$ 1.187,00… Moral da história: Os professores ganham pouco, porque “só servem para nos ensinar coisas inúteis” como: ler, escrever, pensar,formar cidadãos produtivos, etc., etc., etc...
 
SUGESTÃO: Mudar a grade curricular das escolas, que passariam a ter as seguintes matérias:
Ø Educação Física: Futebol;
Ø Música: Sertaneja, Pagode, Axé;
Ø História: Grandes Personagens da Corrupção Brasileira; Biografia dos Heróis do Big Brother; Evolução do Pensamento das "Celebridades"
Ø História da Arte: De Carla Perez a Faustão;
Ø Matemática: Multiplicação fraudulenta do dinheiro de campanha;
Ø Cálculo: Percentual de Comissões e Propinas;
Ø Português e Literatura: ?... Para quê ?...
Ø Biologia, Física e Química: Excluídas por excesso de complexidade.
 
Está bom assim? ... eu quero mais!...
ESSE É O NOSSO BRASIL ...
 
Vejam o absurdo dos salários no Rio de Janeiro (o que não é diferente do resto do Brasil)
 
Ø BOPE - R$ 2.260,00....................... para ........ Arriscar a vida;
Ø Bombeiro - R$ 960,00.....................para ........ Salvar vidas;
Ø Professor - R$ 728,00.....................para ........ Preparar para a vida;
Ø Médico - R$ 1.260,00......................para ........ Manter a vida;
 
E o Deputado Federal?.....R$ 26.700,00 (fora as mordomias, gratificações, viagens internacionais, etc., etc., etc., para FERRAR com a vida de todo mundo, encher o bolso de dinheiro e ainda gratificar os seus “bajuladores” apaniguados naquela manobrinha conhecida do “por fora vazenildo”!).
 
IMPORTANTE:
Faça parte dessa “corrente patriótica” um instrumento de conscientização e de sensibilização dos nossos representantes eleitos para as Câmaras Municipais, Assembleias Estaduais e Congresso Nacional e, principalmente, para despertar desse “sono egoísta” as autoridades que governam este nosso maravilhoso país, pois eles estão inertes, confortavelmente sentados em suas “fofas” poltronas, de seus luxuosos gabinetes climatizados, nem aí para esse povo brasileiro. Acorda Brasília, acorda Brasil !...

P.S.: Divulgue logo esta carta para todos os seus contatos. Infelizmente é o mínimo que, no momento, podemos fazer, mas já é o bastante para o Brasil conhecer essa "pouca vergonha". As próximas eleições estão chegando!".
Anamélia Custódio Mota
Tauá - CE. 07 de março de 2012
 

DIA INTERNACIONAL DA MULHER


EXORTAÇÃO ÀS MULHERES

(LEDA COSTA LIMA)

 
HOMENAGEM A TODAS AS MULHERES ESCRITORAS

DO CEARÁ, DO BRASIL E DO MUNDO


Aqui neste espaço gostaria de citar algumas Mulheres da Letras.

Do Ceará: Emília de Freitas (Rainha do Ignoto), Francisca Clotilde (A Divorciada), Serafina Pontes (Livro da Alma), Ana Nogueira, Alba Valdez (Dias de Luz), Antonieta Clotilde (Redatora da Revista A Estrella e poeta), Maria Sampaio (poeta), Abgail Sampaio (poeta), Ana Facó (Minha palmatória), Rachel de Queiroz (O Quinze), Caterina Saboya Oliveira (Seis romances, seis visões), Zinah Alexandrino (Sutilezas), dentre outras tantas.

Do Brasil:   Cora Coralina, Cecília Meireles, Adélia Prado, Maria Firmina dos Reis(Úrsula).

Do Mundo: Florbela Espanca (poeta).

O soneto em epígrafe por si só já é um convite para perseverar, quando diz: "Falai, falai, que o tempo vos escuta" (...) "A vida passa, permanece a obra".

Creio que não poderia encontrar soneto melhor para este momento de celebração do DIA INTERNACIONAL DA MULHER.

Anamélia Custódio Mota
Tauá - CE, 07 de março de 2012

FRANCISCA CLOTILDE SESQUICENTENÁRIO

FRANCISCA CLOTILDE

Há cento e cinquenta anos nascia em Tauá, Ceará, a menina Francisca Clotilde. Na adolescência perdeu a mãe, dona Ana Maria Castelo Branco. Foi aluna do Colégio Imaculada Conceição em Fortaleza. Foi professora na Escola Normal Pedro II, também em Fortaleza. Na mesma cidade fundou o Externato Santa Clotilde. Lecionou ainda nas cidades de Baturité e Aracati.

Poeta desde a tenra idade, com trabalhos esparsos em jornais e revistas da época.

Abolicionista participou da Sociedade das Senhoras Libertadoras na cidade de Fortaleza.

Jornalista escrevia sem se importar com o que poderia vir por parte dos poderosos.

Contista teve no ano de 1897 quarenta e dois contos publicados em brochura, cuja brochura é dedicada aos seus pais João Correia Lima e Ana Maria Castelo Branco. Esse trabalho teve teve como prefacista Tibúcio de Oliveira Cavalcante.

Política muito lutou pelos direitos dos menos favorecidos, inclusive pelos direitos das mulheres.

Dramaturgista escreveu inúmeras peças de teatro, desde monólogo, jogral e drama. Inicialmente essas peças eram apresentadas em sala de aula, posteriormente no teatro Santo Antônio, em Aracati, e por diversas vezes na cidade de Fortaleza.

Romancista foi a pioneira no Brasil a abordar o tão discutido tema: O Divórcio. O romance de sua autoria intitulado A DIVORCIADA, veio a público para o ano de 1902.

Faleceu na cidade de Aracati no ano de 1935.

No ano de 1952 a escritora  Stela Barbosa Araújo (ex aluna) a tomou para Patrona da Cadeira na qual viria a ter assento na Ala Feminina da Casa de Juvenal Galeno.

(Trata-se de um esboço - texto a concluir)